Greve dos Rodoviários: Impactos no Comércio e Dificuldades no Transporte
A greve dos rodoviários, iniciada na última sexta-feira (30), já traz consequências significativas para o comércio e a locomoção de trabalhadores na Grande Ilha de São Luís. A ausência de ônibus afeta diretamente o fluxo de clientes nas lojas da capital, especialmente em um período crucial como o carnaval, conhecido por impulsionar as vendas.
No Centro de São Luís, as lojas estão enfrentando um movimento reduzido de consumidores. Railson dos Santos, fiscal de uma loja na Rua Grande, comentou sobre a situação alarmante que muitos comerciantes estão enfrentando. “Antes da greve, já havia um bom fluxo de clientes buscando produtos para o carnaval. Porém, com a paralisação, o movimento caiu muito e já sentimos uma queda nas vendas”, disse ele.
A escassez de transporte público também tem gerado dificuldades para os trabalhadores chegarem aos seus locais de trabalho. Marilene Moraes, uma vendedora, relatou que a falta de ônibus tem impactado diretamente sua equipe. “Atualmente, só estamos eu e minha colega. As outras integrantes do time não conseguiram vir porque moram longe e sem transporte, a situação se torna insustentável”, desabafou.
Essa greve abrange tanto o transporte urbano quanto o semiurbano de São Luís, resultando em uma paralisação que afeta todas as cidades da região metropolitana, onde mais de 700 mil pessoas dependem dos coletivos como única opção de transporte público.
A categoria de rodoviários reivindica um reajuste salarial de 15%, além de um tíquete-alimentação no valor de R$ 1.500 e a inclusão de mais um dependente no plano de saúde. Essas exigências refletem a necessidade de melhores condições de trabalho e remuneração para os profissionais do setor.
Com os transtornos causados pela greve, muitos trabalhadores se veem obrigados a arcar com custos extras para chegar ao trabalho. É importante destacar que, segundo a legislação trabalhista, os empregados não podem ser penalizados por faltas em decorrência de mobilizações grevistas.
A advogada trabalhista Kerlile Silva enfatizou que as empresas podem buscar alternativas para manter suas operações sem prejudicar os funcionários durante períodos de greve. “A legislação trabalhista protege o empregado. Em situações de força maior, o trabalhador não pode sofrer sanções. Existem convenções coletivas que possibilitam a adoção de regimes de home office ou o registro das horas em banco de horas, mediante acordos para compensação futura, evitando descontos no salário por dias não trabalhados”, explicou Silva.
A paralisação dos ônibus teve início na última sexta-feira (30), reduzindo severamente o fluxo de clientes nas lojas da capital, em um momento crítico, a poucos dias do carnaval. A expectativa é que a situação se normalize rapidamente, mas, por enquanto, o impacto econômico e social da greve continua a ser sentido por muitos na região.
