Atrasos e Greves Afetam o Transporte Coletivo em São Luís
A greve dos rodoviários que abrange o sistema urbano de transporte em São Luís completou seu segundo dia neste sábado (14), sem perspectivas de normalização das atividades. O movimento, segundo informações do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários do Maranhão (Sttrema), é consequência do atraso no pagamento do reajuste salarial dos motoristas.
Nos primeiros momentos da manhã, os usuários que necessitaram do serviço enfrentaram dificuldades, recorrendo a alternativas, como aplicativos de transporte, ou esperando mais tempo pelos ônibus do sistema semiurbano, que seguem em operação. Este sistema atende as cidades vizinhas de Paço do Lumiar, Raposa e São José de Ribamar.
Vale destacar que essa é a segunda greve em menos de três meses enfrentada pela população de São Luís. O sindicato estima que entre 4,5 mil e 5 mil trabalhadores estão envolvidos no transporte público da Grande São Luís.
Greve Afeta a Mobilidade Urbana
A nova paralisação, que teve início na sexta-feira (13), se insere em um contexto de constantes problemas no transporte coletivo da cidade. Os rodoviários afirmam que o não recebimento do reajuste salarial acordado nas últimas negociações com a Justiça do Trabalho é a raiz do atual impasse.
Nos últimos meses, a população tem se habituado a conviver com ameaças de paralisações e a redução da frota de ônibus disponíveis. Marcelo Brito, presidente do Sttrema, enfatiza que, até o momento, nenhum rodoviário recebeu o salário com o aumento estipulado nas decisões judiciais anteriores, o que tem contribuído para o clima de instabilidade.
Na entrada de uma das empresas responsáveis pelo transporte público, uma placa de contratação de novos motoristas chamou a atenção dos pedestres, mas os rodoviários informam que a questão central que impede a regularização das atividades é, de fato, o não pagamento do reajuste salarial estabelecido.
Resposta da Prefeitura de São Luís
A Prefeitura de São Luís assegura que tem cumprido todas as suas obrigações financeiras em relação ao sistema de transporte público, alegando que os subsídios são repassados em dia e sem qualquer tipo de dedução ou atraso.
Para minimizar os impactos da greve sobre os usuários, a administração municipal lançou um aplicativo que disponibiliza vouchers de transporte para facilitar o deslocamento da população enquanto o serviço estiver comprometido.
Além disso, a Prefeitura informou que, na última quinta-feira (12), protocolou uma ação judicial pedindo a declaração de abusividade da greve e a implementação de medidas que garantam a continuidade mínima do transporte coletivo, conforme previsto pela legislação sobre serviços essenciais.
Notas das Partes Envolvidas
A Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes (SMTT) enfatiza que a greve é resultado do descumprimento, por parte das empresas de ônibus, de uma decisão judicial que determinou a implementação de reajuste salarial e a concessão de benefícios aos trabalhadores rodoviários.
A SMTT também destaca que, mesmo com o recebimento regular dos recursos, as empresas não garantiram as vantagens determinadas pela Justiça, o que culminou na atual paralisação do sistema urbano.
Por sua vez, o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de São Luís (SET) refutou as declarações do prefeito Eduardo Braide, afirmando que o subsídio pago pela Prefeitura permanece inalterado desde janeiro de 2024 e que não houve acordo na Justiça, pois a SMTT não compareceu. O SET também mencionou o aumento significativo no preço do diesel, que impacta ainda mais o custo do serviço.
Investigação do Ministério Público
Em meio à crise, o Ministério Público do Maranhão (MP-MA) abriu um inquérito civil para investigar as falhas no transporte coletivo, que incluem paralisações recorrentes e possíveis irregularidades na gestão do serviço. O MPMA já requisitou documentos relevantes à SMTT e ao SET para esclarecer a situação do transporte na capital.
Nos últimos seis anos, a população de São Luís já enfrentou diversas greves, muitas delas motivadas por questões salariais. Em 2022, a capital viu a maior paralisação da história, com duração de 43 dias. A expectativa, agora, é por uma rápida solução que garanta o direito à mobilidade da população.
