Audiência Pública e Demandas Comunitárias
No último dia 24, o Ministério Público do Maranhão (MPMA) promoveu uma audiência pública no auditório do Colégio Universitário, localizado no campus da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), em São Luís. O evento teve como objetivo coletar demandas dos moradores da região Itaqui-Bacanga, com foco na definição das prioridades da atuação da Promotoria de Justiça Distrital da Cidadania. Esta iniciativa envolveu a participação de moradores locais, lideranças comunitárias e representantes do Poder Judiciário, Conselho Tutelar, Prefeitura de São Luís e Companhia de Saneamento Ambiental do Maranhão (Caema).
Coordenada pela promotora de justiça Ana Carolina Cordeiro de Mendonça, a audiência destacou a importância do diálogo entre a comunidade e as instituições. “A nossa pauta vai ser o diálogo. Vamos construir soluções. Esta audiência marca o momento fundamental do plano de atuação. A partir dessa escuta, vamos priorizar a defesa dos direitos fundamentais em áreas sensíveis, como educação, saneamento básico, saúde e transporte”, enfatizou Ana Carolina Mendonça.
Desafios da Regionalização
A região Itaqui-Bacanga é composta por cerca de 40 comunidades, abrigando mais de 200 mil habitantes. Durante a audiência, moradores de diversas localidades, como Sá Viana, Vila São Luís, e Vila Ariri, relataram problemas persistentes em infraestrutura, como pavimentação de ruas, abastecimento de água, saúde, educação, coleta de resíduos sólidos, contaminação do ar, transporte público e saneamento básico.
A moradora Marineide Costa, residente no Sá Viana, expressou sua frustração com a falta de infraestrutura, afirmando: “Além da falta d’água, a infraestrutura das ruas é precária. O Sá Viana é um bairro esquecido e a gente está cansado de sofrer”. Suas palavras refletiram a realidade vivenciada por muitos da comunidade, que aguardam por soluções que melhorem suas condições de vida.
Demandas Específicas e Preocupações
Os relatos durante o encontro foram variados e abordaram questões essenciais. O agente de saúde Josuel Silvestre, por exemplo, criticou a falta de fiscalização no trânsito em Vila Ariri, onde veículos estacionam em locais inadequados, prejudicando a circulação. Ele também ressaltou a ausência de rede de esgoto e a crônica falta de água potável na região.
Além disso, a vice-presidente da União dos Moradores do Rio dos Cachorros, Rosinete da Silva, solicitou ao MPMA intervenções contra a poluição do ar. Rosinete lamentou a perda de vidas devido à poluição causada por indústrias, clamando: “Precisamos de socorro. Também não temos saneamento básico. Nos ajudem a resolver esses dramas das nossas comunidades”. Essas preocupações demonstram a urgência em lidar com a qualidade de vida e saúde dos moradores.
Acessibilidade e Direitos da Pessoa com Deficiência
A acessibilidade foi outro ponto levantado durante a audiência. Mauro Dias, presidente da Associação da Pessoa com Deficiência da área Itaqui-Bacanga, destacou a discriminação enfrentada por pessoas com dificuldades de locomoção. “O direito de ir e vir é de todos, incluindo as pessoas com deficiência”, afirmou, enfatizando a necessidade de medidas que garantam o acesso a transportes e locais públicos.
Essa audiência pública, portanto, não apenas trouxe à tona as demandas da comunidade, mas também reforçou a importância do papel do Ministério Público na intermediação dessas questões, buscando soluções e promovendo o diálogo entre a população e as instituições. Com o compromisso de priorizar os direitos fundamentais, a Promotoria Distrital do Itaqui-Bacanga se prepara para enfrentar os desafios apresentados, buscando um futuro mais justo e igualitário para todos os moradores da região.
