O Legado de Mãe Elzita no Tambor de Mina
Na última quinta-feira, a cidade de São Luís se despediu de Elzita Vieira Martins Coelho, carinhosamente conhecida como Mãe Elzita. Com a morte da líder religiosa aos 91 anos, no dia 24, a cultura afro-brasileira no Maranhão perde uma de suas mais valiosas referências. O sepultamento ocorreu em um clima de profunda reverência, refletindo o impacto que sua vida e trabalho tiveram na preservação do Tambor de Mina, uma das expressões mais ricas da espiritualidade afrodescendente no Brasil.
Mãe Elzita foi a fundadora e dirigente do Terreiro Fé em Deus, instituição criada em 1968, localizada no bairro do Sacavém, em São Luís. Com uma trajetória dedicada à promoção da religião e ao fortalecimento das práticas culturais afro-brasileiras, ela se tornou uma voz ativa na defesa do Tambor de Mina, que cultua voduns, orixás e encantados, elementos centrais dessa tradição.
A Nascente do Tambor de Mina
Natural de São Luís, Mãe Elzita nasceu em 16 de janeiro de 1934. Desde cedo, foi influenciada pela religiosidade da sua família, iniciando sua jornada no Terreiro Nanã Borokô, sob a tutela de sua mãe-de-santo, Dona Denira. Essa formação não apenas a conectou às suas raízes, mas também a motivou a lutar pela preservação das tradições afro-brasileiras em um contexto muitas vezes desafiador.
O Tambor de Mina, cuja origem se encontra na capital maranhense, se espalhou pela Região Norte do Brasil, alcançando estados como Pará e Amazonas. Além disso, a religião encontrou seu espaço em grandes centros urbanos, como Rio de Janeiro e São Paulo, à medida que migrantes levaram consigo suas tradições e práticas. Mãe Elzita foi fundamental nesse processo, contribuindo para a manutenção e divulgação do Tambor de Mina em novas terras.
A Importância de Mãe Elzita na Cultura Afro-Brasileira
Além de sua atuação no terreiro, Mãe Elzita foi uma fervorosa defensora dos direitos das religiões de matriz africana. Durante sua vida, enfrentou diversas barreiras e preconceitos, mas sua fé e determinação foram mais fortes. O reconhecimento de seu trabalho é fundamental, pois ela sempre buscou promover um diálogo respeitoso entre as tradições afro-brasileiras e a sociedade em geral.
O impacto de sua obra não se limita apenas ao âmbito religioso, mas se estende à cultura e à identidade afro-brasileira como um todo. Mãe Elzita sempre se posicionou contra a intolerância religiosa, buscando unir as comunidades em torno de valores de respeito e inclusão. Sua trajetória inspira novas gerações a continuarem o trabalho de valorização e preservação das culturas afro-brasileiras.
Com a partida de Mãe Elzita, o Maranhão e o Brasil perdem uma grande líder, mas seu legado permanece vivo nas práticas e nos corações daqueles que tiveram a honra de conhecê-la e aprender com sua sabedoria. Especialistas e admiradores da cultura afro-brasileira ressaltam a importância de que a história de Mãe Elzita seja contada e celebrada, garantindo que a tradição do Tambor de Mina siga prosperando.
