Ministério da Cultura Fomenta Iniciativas Locais
Na última sexta-feira (6), o Ministério da Cultura (MinC) promoveu visitas técnicas a projetos culturais localizados no Amazonas e apoiados pela Lei Rouanet. Essa ação faz parte da 368ª reunião ordinária da Comissão Nacional de Incentivo à Cultura (CNIC) e tem como objetivo conectar a diversidade cultural da região com os comissários, por meio das iniciativas que receberam incentivo da lei.
Segundo o secretário de Fomento e Incentivo à Cultura, Thiago Rocha, essa itinerância no estado é uma maneira de fortalecer a estratégia de nacionalização do fomento cultural no Brasil. “A presença da CNIC no Amazonas reafirma nosso compromisso em democratizar as linhas de incentivo à cultura. Estamos aqui para compartilhar informações sobre a Lei Rouanet e a Política Nacional Aldir Blanc, além de nos conectar com aqueles que fazem a cultura acontecer de fato”, enfatizou Rocha.
A jornada começou na visita ao Museu da Amazônia (Musa), localizado em uma área de 100 hectares da Reserva Florestal Adolpho Ducke. O espaço serve como centro de pesquisa e divulgação científica da natureza. Durante a visita, o diretor geral, Filippo Stampanoni, apresentou à comissão a torre de observação de 42 metros, que proporciona uma vista privilegiada da copa das árvores, além de laboratórios de serpentes, um borboletário e trilhas interpretativas sobre a flora local.
“O Musa é um museu vivo que prioriza a pesquisa e o contato com a natureza. Nossa missão é promover a ciência e a observação da natureza em seu estado mais puro. Aqui, visitantes podem subir na torre e percorrer trilhas para entender a complexidade do bioma amazônico. A Lei Rouanet é uma ferramenta essencial nesse processo, permitindo que traduzamos dados científicos em uma linguagem acessível ao público”, destacou Stampanoni.
Até o momento, o Musa já arrecadou mais de R$ 3,79 milhões por meio da Lei Rouanet. Na seção de arqueologia, o museu exibe vestígios cerâmicos da ocupação pré-colombiana, enquanto a exposição permanente “Peixe e Gente” utiliza artefatos para retratar os métodos de pesca e a cosmologia dos povos indígenas do Alto Rio Negro.
Centro Cultural Casarão de Ideias Recebe Visita
A comitiva também conheceu as obras da nova sede do Centro Cultural Casarão de Ideias, que já tem 15 anos de atuação na promoção da cultura e na preservação do patrimônio histórico e artístico do Amazonas. Com uma programação diversificada, o Casarão conta com cinema, cafeteria, áreas para exposições e um salão cênico destinado a apresentações.
Além do espaço fixo, o Casarão sedia ações temporárias, como ensaios, exibições de fotografia, concertos e oficinas de teatro e dança. “A visita da CNIC é de grande importância para a nossa trajetória. Eles puderam testemunhar a seriedade com que aplicamos os recursos e a solidez do nosso trabalho em Manaus. O Casarão de Ideias acredita no poder transformador da cultura brasileira”, comentou João Fernandes Neto, diretor-geral do Centro.
Atualmente, o Casarão já captou mais de R$ 855,2 mil através da Lei Rouanet. A coordenadora-geral de Fomento da Fundação Nacional de Artes (Funarte), Luísa Hardman, expressou satisfação ao conhecer o projeto e ressaltou sua importância para Manaus e o território amazônico. “É gratificante ver um projeto tão vital que estabelece uma conexão com o cotidiano da cidade e fomenta o desenvolvimento sustentável”, afirmou.
As obras da nova sede devem ser concluídas em abril e incluirão uma livraria, lojas colaborativas, um café, uma sala multiuso e galerias de exposições.
Encerramento no Teatro Amazonas
A comissão finalizou a série de visitas no Teatro Amazonas, um dos mais emblemáticos marcos culturais da região Norte. Construído no auge do ciclo da borracha, no final do século 19, o teatro foi inaugurado em 31 de dezembro de 1896 e é considerado Patrimônio Histórico Nacional desde 1966.
A arquitetura do Teatro Amazonas combina elementos renascentistas e ecléticos, com influências dos estilos Louis 15 e art nouveau. Sua cúpula é revestida com 36 mil escamas de cerâmica esmaltada em verde, amarelo e azul, e materiais como mármore de Carrara e lustres de Murano foram importados da Europa.
O Salão Nobre do teatro apresenta uma obra do artista italiano Domenico de Angelis, enquanto a sala de espetáculos tem capacidade para 701 pessoas e exibe quatro telas que homenageiam a música, dança, tragédia e o compositor Carlos Gomes. O espaço abriga também a Amazonas Filarmônica e o Balé Folclórico do Amazonas, além de sediar o Festival Amazonas de Ópera, um dos principais eventos de música erudita do Brasil. “O Teatro Amazonas é um patrimônio do povo brasileiro. É fundamental ver como esse espaço opera na prática, incentivando não apenas a preservação, mas uma programação cultural ativa ao longo do ano”, ressaltou Érika Freddi, coordenadora-geral de Articulação e Gestão do Pronac. O Teatro Amazonas é administrado pelo Governo do Estado, através da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Amazonas.
