A Jornada de Neide Baldez e sua Iniciativa com a Tok Africano
Ao amanhecer em São Luís, Neide Baldez inicia seu dia com gratidão e foco nas suas responsabilidades. Apesar dos desafios, sua rotina é marcada por alegria e determinação. “Verifico as encomendas, decido o que produzir e onde trabalhar, sempre buscando manter um sorriso no rosto”, compartilha. Neide é um exemplo notável dentro do Maranhão, que, segundo um levantamento do Sebrae, apresenta a maior taxa de empreendedorismo entre a população negra no Brasil. Aproximadamente 80% dos empreendedores formais do estado se identificam como negros, refletindo um forte movimento de empoderamento e protagonismo econômico.
Às seis da manhã, comece o dia de Neide, equilibrando sua vida de empreendedora e as demandas familiares. Sua semana é uma maratona que se estende de domingo a domingo, moldada pela resiliência e pela busca de um futuro melhor. Após deixar um emprego formal e enfrentar dificuldades emocionais, ela encontrou força para se reinventar, criando a Tok Africano, uma marca que não se limita a vender acessórios, mas que promove a conscientização racial e o empoderamento de mulheres negras.
Reinventando-se em Tempos Difíceis
Com seis anos de história, Neide, que é formada em Administração de Empresas, recorda como iniciou sua jornada empreendedora no “carro do ovo”. “Comecei corajosamente, visitando os bairros de São Luís. O negócio prosperou e, eventualmente, tive um ponto físico chamado Kitanda. Mas, após um tempo, percebi que era necessário repensar minha trajetória”, explica. Seu retorno ao mercado de trabalho formal, impulsionado por questões de segurança, não trouxe felicidade. “Eu ia para o trabalho chorando e voltava da mesma forma, não era a vida que eu desejava. O ambiente me sufocava”. Esse momento crítico quase a levou à depressão, levando-a a buscar apoio psicológico.
Neide decidiu não retornar ao mundo corporativo e, ao invés disso, apostar novamente no empreendedorismo. “Trabalhava em uma escola renomada em São Luís, cercada por papéis e sem liberdade. A decisão de partir para um negócio próprio foi um divisor de águas”, reflete.
O Papel do Sebrae e a Construção da Identidade
A virada em sua carreira aconteceu quando Neide começou a afirmar sua identidade como mulher negra e a perceber o potencial do mercado de acessórios afro. A inspiração veio de um passeio pelo Centro Histórico, onde sua filha a incentivou a empreender em algo que valorizasse suas raízes. “Sempre fui vaidosa e apaixonada por acessórios de cabelo, e isso me motivou a entrar no afroempreendedorismo”, conta, emocionada.
O Sebrae foi um parceiro crucial na sua trajetória, oferecendo cursos gratuitos e pesquisas de mercado que a ajudaram a desenvolver suas habilidades em gestão, marketing e finanças. “No início, enfrentei dificuldades com costura e fornecedores, mas o suporte do Sebrae foi constante, desde oficinas até eventos de networking”, destaca.
Tok Africano: Mais que um Negócio, um Propósito
Com determinação, a Tok Africano nasceu. Neide acredita que o diferencial da sua marca vai além da venda de produtos. O foco está na promoção da identidade e do letramento racial, conectando pessoas em um movimento de empoderamento feminino e cooperação. “Os turbantes são apenas uma parte. A verdadeira essência do meu trabalho é criar um espaço de identificação”, explica.
Atualmente, a Tok Africano está presente em diversos espaços colaborativos, como o Ateliê Pimentinhas e a Feira MA Preta, além de atuar em feirinhas e entregas. “Descobri que posso fazer disso um propósito na minha vida, ajudando outras pessoas a se enxergarem como empreendedoras”, reflete Neide.
Com um atendimento acolhedor, Neide se destaca pelo seu jeito de atender, elogiada por clientes como Soraya Mendonça, que afirma: “O atendimento é sempre excelente, tornando cada visita à loja uma experiência prazerosa”.
Legados e Sonhos para o Futuro
Entre as lições aprendidas ao longo do caminho, Neide enfatiza a importância do conhecimento, disciplina e de uma rede de apoio sólida para transformar desafios em oportunidades de negócio. Pensando no futuro, ela se orgulha de influenciar seus filhos e outras mulheres. “O legado mais importante é impactar outras mulheres, mostrando que nunca se deve desistir dos sonhos”, conclui.
Neide expressa a crença de que todos têm um potencial a ser explorado. “Eu nem sabia costurar. Se consegui até aqui, outras mulheres também podem. O importante é persistir diante dos desafios”, finaliza.
