Frota Urbana Retorna com Restrições
A frota de ônibus do sistema de transporte urbano de São Luís reiniciou suas operações parcialmente na manhã desta terça-feira, 17, após a suspensão da greve dos rodoviários. Segundo Paulo Pires, diretor do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros (SET), espera-se que cerca de 70% dos veículos voltem a circular ao longo do dia, com uma normalização gradual do serviço.
A retomada das atividades ocorreu após uma reunião entre o SET e o Sindicato dos Rodoviários do Maranhão, realizada nesta mesma terça-feira. Os líderes sindicais e patronais chegaram a um acordo que permitiu a suspensão da paralisação.
Pires informou que as empresas se comprometeram a iniciar o pagamento parcial dos salários atrasados dos trabalhadores, o que facilitou a retomada dos serviços de transporte. “O pagamento será feito a partir de amanhã. O sistema está voltando a operar, mas o assunto será reavaliado em 15 dias, quando discutiremos o pagamento do próximo salário”, afirmou.
Situação da Greve e Compromissos Pendentes
Apesar da retomada das atividades, o presidente do Sindicato dos Rodoviários do Maranhão, Marcelo Brito, enfatizou que a greve foi apenas suspensa e não encerrada de forma definitiva. Ele destacou que as empresas se comprometeram a quitar a diferença salarial definida pela Justiça, que estabelece um reajuste de 5,5% conforme determinação do tribunal trabalhista. “Se não resolvermos tudo que foi decidido na Justiça até 31 deste mês, voltaremos com a mobilização”, disse Brito.
O sindicato também está exigindo a implementação de benefícios adicionais já aprovados judicialmente, que incluem plano odontológico, seguro de vida e exames toxicológicos para os motoristas.
Valores em Discussão e Dificuldades Operacionais
Durante a reunião entre os sindicatos e as empresas, também foi discutida a devolução de valores que, segundo o SET, foram descontados de maneira irregular pela prefeitura. De acordo com o sindicato, cerca de R$ 4,5 milhões, referentes aos meses de outubro, novembro e dezembro de 2025, foram retidos pelo município a partir de glosas — descontos que, segundo os representantes das empresas, não estão previstos nos contratos de prestação de serviço.
“Esses recursos ficaram retidos, dificultando a operação das empresas, principalmente diante da atual crise no setor de combustíveis”, frisou Paulo Pires, apontando que o problema financeiro agrava ainda mais a situação do transporte na cidade.
Marcelo Brito reiterou que, mesmo com a suspensão da greve, o respeito aos direitos trabalhistas e a regularização das pendências financeiras são fundamentais. “Estamos mostrando à população que queremos que a cidade funcione, mas também exigimos que nossos direitos sejam respeitados”, afirmou.
Posicionamento da Prefeitura e do SET
A Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes (SMTT) de São Luís declarou que a greve iniciada na sexta-feira, 13, foi motivada pelo não cumprimento, por parte das empresas de ônibus, das obrigações estabelecidas pela Justiça do Trabalho, que incluem o reajuste salarial e benefícios para os rodoviários. A SMTT sustenta que, apesar de cumprir regularmente suas obrigações financeiras, as empresas não implementaram as vantagens definidas judicialmente.
Por sua vez, o SET respondeu às alegações do prefeito Eduardo Braide, esclarecendo que o subsídio atual pago pela prefeitura é o mesmo desde janeiro de 2024, mesmo diante do aumento dos custos operacionais e das concessões salariais. O SET ainda destacou que o aumento abrupto do preço do diesel, que subiu R$ 1,40 por litro apenas na última semana, tem um impacto significativo na operação. “A decisão do presidente Lula resultará numa redução de apenas R$ 0,30, o que é insuficiente”, afirmou.
As greves recorrentes desde 2021 refletem o descumprimento contínuo dos contratos por parte do município, conforme admitido pelo próprio prefeito em um vídeo. O SET tem cooperado com órgãos de justiça para investigar as causas da crise no setor de transporte.
Assim, o SET reafirma seu compromisso com o diálogo, mencionando que diversos pedidos de reunião foram protocolados junto à SMTT desde o início de 2025, na busca por soluções para os desafios enfrentados pelo transporte público na cidade.
