Oportunidades para a Indústria Criativa Brasileira
A ministra da Cultura, Margareth Menezes, acredita que o Brasil está em uma posição privilegiada para tirar proveito do acordo firmado entre o Mercosul e a União Europeia. Durante uma entrevista coletiva na última terça-feira, 13, a ministra ressaltou que essa parceria representa “um novo capítulo” para a cultura nacional, prometendo criar diversas oportunidades na área de livre comércio.
Menezes declarou que “o acordo gera uma expectativa de oportunidades em todos os setores econômicos e possibilidades de você solidificar abertura de mercado, incluindo para a cultura”. Ela destaca que o momento é ideal, especialmente porque o Brasil está vivenciando uma grande expansão de projetos culturais, impulsionados por mecanismos de incentivo como a Lei Rouanet e a Lei Aldir Blanc. Além disso, o país tem atraído cada vez mais turistas estrangeiros, com expectativas de atingir 9,8 milhões de visitantes em 2025, de acordo com dados da Embratur.
“Desde 2024, o Ministério da Cultura tem promovido, por meio da Ancine, uma política de expansão na produção de filmes e coproduções com diversos países”, explicou a ministra. Ela enfatizou que obras como ‘Ainda Estou Aqui’ e ‘O Agente Secreto’ são fundamentais para elevar o padrão da indústria criativa. “Buscamos parcerias internacionais com a intenção de acompanhar o crescimento da cultura brasileira no cenário global”, acrescentou.
Acordo Mercosul-UE: Um Marco Histórico
O acordo entre os blocos econômicos do Mercosul e da União Europeia foi finalmente confirmado na última sexta-feira, 9, após 26 anos de negociações. Este pacto abrange, entre outras áreas, o setor de serviços digitais, que pode oferecer um suporte indireto para o setor cultural através de plataformas de streaming e audiolivros. Com isso, será criada uma área de livre comércio que representa uma população conjunta de 720 milhões de pessoas e um Produto Interno Bruto (PIB) de aproximadamente US$ 22 trilhões.
A Associação Latino-Americana de OTT e Streaming (Abbotts) comentou sobre o acordo em resposta ao site Mobile Time, afirmando que deve ser encarado como um vetor de médio e longo prazo para o ecossistema digital, ao invés de um impacto imediato na redução de preços. “No que diz respeito a OTT e SVA, os potenciais ganhos estão mais relacionados à eficiência, cooperação tecnológica e integração de cadeias de valor do que com a diminuição direta de preços para o consumidor”, informou a associação, destacando que a verdadeira transformação pode demandar tempo.
Com a assinatura desse acordo, a expectativa é de que haja um fortalecimento das relações entre os países do Mercosul e da União Europeia, criando um ambiente propício não apenas para o comércio, mas também para a difusão cultural. O foco agora é assegurar que as indústrias criativas brasileiras possam se inserir de maneira competitiva no mercado internacional, aproveitando as novas possibilidades que surgem a partir dessa parceria.
