Destaque no Cenário Documental
Durante uma entrevista ao GLOBO, que marca o lançamento de seu mais novo documentário, “Seymour Hersh: em busca da verdade”, a partir desta sexta-feira (26) na Netflix, a diretora americana Laura Poitras não hesitou em reconhecer o valor de uma de suas concorrentes diretas ao Oscar de melhor documentário. A cineasta elogiou abertamente o trabalho da brasileira Petra Costa, ressaltando o impacto de suas obras no debate sobre democracia.
— Tenho muito orgulho da comunidade de documentaristas, da qual faço parte, e preciso destacar, dentro dela, o trabalho da minha colega Petra Costa, que, com “Democracia em vertigem” e “Apocalipse nos trópicos”, se debruça, a partir da realidade brasileira, sobre os problemas centrais da democracia nos nossos tempos, notadamente a impunidade. Ela é uma diretora genial — afirmou Poitras, que já conquistou o Oscar em 2015 por seu documentário “Cidadãoquatro”, que retratou as revelações feitas por Edward Snowden sobre a vigilância da Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos.
A Nova Produção de Poitras
O novo documentário de Poitras, “Seymour Hersh: em busca da verdade”, explora a vida do renomado jornalista que expôs crimes de guerra cometidos pelas forças armadas dos EUA, incluindo o massacre de My Lai em 1968 e os escândalos de tortura em Abu Ghraib durante a invasão do Iraque em 2004. A obra promete desvelar as dinâmicas de abuso de poder e a impunidade que têm prevalecido na sociedade americana ao longo dos últimos 60 anos.
Após o lançamento, Poitras foi convidada a analisar o funcionamento das instituições nas Américas em relação à justiça. Ela destacou como o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro pode ser visto como um “bom sinal”, uma vez que ele está enfrentando as consequências de seus atos:
— Isso jamais aconteceu nos EUA, e não só com (o presidente Donald) Trump. (O vice-presidente) Dick Cheney normalizou a tortura e não foi punido. (O presidente) Richard Nixon renunciou e foi perdoado. O que vimos recentemente, como o assassinato de mais de uma centena de pessoas na operação policial no Rio, revela que as práticas de acobertamento ainda perpetuam um ciclo de impunidade.
Reconhecimento Internacional e Pré-Indicações ao Oscar
O documentário de Poitras, co-dirigido por Mark Obenhaus, e “Apocalipse nos trópicos” de Petra Costa estão entre os 15 pré-indicados pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood na categoria de melhor documentário. Além disso, o Brasil conseguiu se destacar em outras categorias, com “O agente secreto”, de Kleber Mendonça Filho, recebendo pré-indicações para melhor filme internacional e melhor elenco. O paulista Adolpho Veloso, por sua vez, figura na lista de melhor direção de fotografia, pela obra “Sonhos de trem”, enquanto “Amarela”, de André Hayato Saito, foi pré-selecionado na categoria de curtas live-action.
