Reflexão essencial promovida pela Defensoria Pública do Maranhão
No dia 31 de março, a Defensoria Pública do Estado do Maranhão promoveu um importante evento voltado para o combate à violência de gênero. A palestra foi conduzida pelo defensor público Bruno Antonio Barros Santos, responsável pelo Núcleo de Defesa da Mulher da instituição, e ocorreu no Auditório Isabel Almeida Ferreira Rêgo, localizado na Secretaria de Estado de Transparência e Controle (STC), em São Luís.
O encontro foi uma iniciativa da Secretaria de Estado dos Direitos Humanos e Participação Popular (Sedihpop), reunindo secretários de Estado, gestores públicos e funcionários de diversas secretarias do Governo do Maranhão. Entre os participantes estavam o secretário de Estado dos Direitos Humanos e Participação Popular em exercício, Genilson Alves, o secretário adjunto dos Direitos Humanos, Eudes Bezerra, o secretário adjunto de Povos e Comunidades Tradicionais, Pazoline Flor, e o secretário adjunto dos Direitos da Criança e do Adolescente, Fábio Maia.
A palestra trouxe à tona a discussão sobre as relações entre masculinidades e a violência de gênero, reforçando a importância de os homens assumirem um papel proativo no enfrentamento a essa problemática. O defensor público sublinhou que não é suficiente apenas ser contra a violência; é essencial que os homens se posicionem de maneira antimachista, questionando comportamentos e discursos que perpetuam a desigualdade.
Um dos principais pontos abordados foi a necessidade de romper com a cultura do silêncio que muitas vezes protege comportamentos machistas. Segundo o defensor, é imprescindível que os homens se sintam encorajados a confrontar atitudes inadequadas, interpelando outros homens e promovendo uma mudança coletiva de postura. Essa transformação é fundamental para deslegitimar as ações que sustentam a violência contra as mulheres.
Outro aspecto relevante discutido foi o impacto do discurso na perpetuação da violência. “O discurso precede a ação. Frequentemente, a violência se inicia nas palavras, nas piadas e nas falas que foram normalizadas ao longo do tempo”, ressaltou Barros Santos. Ele argumentou que é crucial transformar o imaginário social, adotando práticas e discursos que promovam a igualdade de gênero, em paralelo à luta antirracista.
Embora reconheça que as mulheres são as principais protagonistas no combate à violência de gênero, o defensor enfatizou que os homens devem atuar como aliados nesse processo, assumindo responsabilidades na desconstrução do machismo e da misoginia. A relevância da Lei Maria da Penha foi destacada, pois, além de oferecer proteção às mulheres, a lei também convida os homens a participarem das discussões e estratégias de prevenção à violência.
Essa iniciativa da Defensoria Pública reforça o compromisso da instituição com a promoção dos direitos humanos e o enfrentamento à violência de gênero. É um passo fundamental para fortalecer a atuação integrada entre os órgãos públicos e fomentar a construção de uma cultura pautada no respeito, na igualdade e na justiça social.
