Análise do PIB no Nordeste
O Produto Interno Bruto (PIB) dos municípios brasileiros em 2023, conforme divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (19), expõe a profunda desigualdade econômica que caracteriza a região Nordeste. Os dados, que abrangem o PIB a preços de mercado e o PIB per capita para os 5.570 municípios, revelam um contraste marcante entre os centros urbanos com altas taxas de atividade econômica e aqueles com renda per capita extremamente baixa.
No topo do ranking nordestino, Fortaleza (CE) se destaca como o município com o PIB mais elevado, somando R$ 86,9 bilhões, o que representa 5,75% do total regional. A capital cearense supera outras cidades importantes como Salvador (BA) e Recife (PE), consolidando sua posição como o principal polo econômico do Nordeste. Em contrapartida, Manari (PE) figura como o município com o menor PIB per capita do Brasil, com apenas R$ 7.201,70 por habitante, evidenciando o abismo econômico existente na região.
A distância entre Fortaleza e Manari serve como um retrato da desigualdade interna no Nordeste. Enquanto os grandes centros urbanos e polos industriais concentram a maior parte da produção econômica, os municípios menores, especialmente aqueles localizados no interior do semiárido, enfrentam uma economia caracterizada pela baixa diversificação, falta de investimentos e uma alta dependência de transferências públicas.
Outros Municípios com PIB Relevante
Além de Fortaleza, outros municípios que apresentaram PIB expressivo incluem Salvador (BA), Recife (PE), São Luís (MA) e Maceió (AL). A Bahia, especificamente, se destaca com diversas cidades entre as 30 maiores economias da região, como Camaçari, São Francisco do Conde e Luís Eduardo Magalhães, que se beneficiam dos setores de refino de petróleo, petroquímica e agricultura voltada para exportação.
Concentração de Riqueza no Brasil
Na análise nacional, os dez municípios com os maiores PIBs concentraram 24,5% da economia do Brasil, sendo liderados por São Paulo (SP), que detém R$ 1,06 trilhão, equivalente a 9,7% do PIB nacional. Rio de Janeiro (RJ) e Brasília (DF) seguem na lista, com R$ 418,4 bilhões e R$ 365,6 bilhões, respectivamente.
A densidade econômica, que considera o PIB por quilômetro quadrado, é liderada por Osasco (SP), com R$ 1,8 milhão/km², seguido por São Caetano do Sul (SP) e Barueri (SP). Nos menores PIBs nominais, Santo Antônio dos Milagres (PI) se destaca com o menor valor do Brasil, atingindo R$ 25,2 milhões. Municípios do Piauí e da Paraíba, como Areia de Baraúnas e Parari, figuram entre os 30 menores, o que é explicado pela baixa atividade econômica e população reduzida.
Desigualdade Regional e Oportunidades
As dez maiores concentrações urbanas do país, segundo o IBGE, são responsáveis por 40,7% do PIB nacional, totalizando R$ 4,45 trilhões. A urbanização em São Paulo responde por 16,2% desse total, enquanto o Rio de Janeiro e Brasília têm participações de 8,0% e 3,5%, respectivamente. No Nordeste, Salvador e Recife são as únicas cidades da região que aparecem entre as dez maiores concentrações urbanas, com contribuições de 1,5% e 1,4% do PIB nacional. Notavelmente, nenhuma delas se encontra entre as dez cidades com maior densidade econômica, que são dominadas por metrópoles do Sudeste e Sul.
Em 2023, Fortaleza, com R$ 86,9 bilhões, se destacou novamente como o maior PIB do Nordeste, seguida por Salvador, Recife, São Luís e Maceió. A Bahia lidera em número de municípios entre os 30 maiores PIBs, com centros industriais como Camaçari e São Francisco do Conde, enquanto Pernambuco também brilha com municípios como Ipojuca e Jaboatão dos Guararapes.
PIBs per Capita e Setores Econômicos
Contrapondo-se a isso, Manari (PE) registra o menor PIB per capita do país, com R$ 7.201,70. Quatro dos cinco menores PIBs per capita estão no Maranhão, incluindo Nina Rodrigues e Matões do Norte, que enfrentam desafios semelhantes, como baixa densidade populacional e dependência de transferências públicas.
Entretanto, o Nordeste também abriga municípios com alta renda per capita. São Francisco do Conde (BA) figura como o segundo com maior PIB per capita do Brasil, alcançando R$ 684,3 mil, impulsionado pelo setor de refino de petróleo. Outras localidades nordestinas destacadas entre as 100 maiores em PIB per capita incluem Santo Antônio dos Lopes (MA) e Ipojuca (PE), com forte presença da indústria e do agronegócio.
As cidades que lideram o PIB per capita em 2023 estão diretamente relacionadas à cadeia do petróleo, com São Francisco do Conde sendo um exemplo claro. Essa realidade, mesmo em um contexto desafiador para o setor, demonstra a resiliência de algumas regiões. Como explicou Luiz Antonio do Nascimento de Sá, analista do IBGE, “é curioso notar que os municípios no topo dessa lista estão ligados ao petróleo, mesmo em um cenário adverso, devido à recente operação de alguns campos de petróleo.”
Portanto, embora as capitais como São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília permaneçam como as maiores economias do país desde 2002, a sua participação relativa tem diminuído com o crescimento de outras regiões e o dinamismo de setores produtivos descentralizados.
