Hip-hop e resistência: do movimento das ruas ao diálogo nacional
O hip-hop, que nasceu como uma poderosa expressão de resistência nas ruas, hoje ganha espaço nas discussões sobre cultura, educação e direitos humanos no Brasil. Nos dias 11 e 12 de agosto, Brasília será palco do 1º Seminário Nacional da Corporação Casas de Cultura hip hop do Brasil (C3H2B), que reunirá representantes de todos os estados e do Distrito Federal para debater o futuro do movimento.
Entre os participantes, o Maranhão estará representado pelos rappers e ativistas Preto Nando e Negro Lamar, importantes lideranças do hip-hop local. Eles apresentarão o trabalho do Clã Nordestino, grupo que contribuiu para projetar o rap produzido em São Luís nacionalmente e até na Europa. Essa apresentação faz parte da programação cultural do seminário, que acontecerá na Casa GOG.
Construindo uma agenda nacional para o hip-hop
O seminário integra as celebrações dos 53 anos da cultura hip-hop e tem como objetivo consolidar uma agenda nacional para as Casas de Cultura Hip Hop espalhadas pelo país. A ideia é transformar as experiências vividas nas periferias em políticas públicas que usem a cultura como ferramenta de inclusão social e cidadania.
Por dois dias, artistas, pesquisadores, produtores culturais e lideranças comunitárias vão discutir temas como racismo estrutural, juventude, direitos humanos, emergência climática, sustentabilidade nos territórios periféricos e o fortalecimento dos cinco elementos da cultura hip-hop.
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Troca de experiências e fortalecimento das Casas de Cultura
Para Preto Nando, o encontro vai além de palestras: será um espaço de escuta, diálogo e construção coletiva. “O seminário será um espaço de diálogo aberto. Todos poderão apresentar a realidade de seus territórios, discutir necessidades e construir propostas para fortalecer o hip-hop em todo o país”, explica.
Além disso, a participação dos representantes maranhenses busca fortalecer a Casa de Cultura Coisa Nossa Records, localizada no bairro Alemanha, em São Luís. O espaço tem foco em ações culturais e educacionais voltadas principalmente para a juventude.
“Nossa expectativa é fortalecer as Casas de Cultura que existem nos estados e municípios, criar interlocução com os ministérios e trazer para o Maranhão políticas públicas que ampliem o acesso da juventude à cultura e à educação”, complementa o artista.
Carta de Brasília e ações estratégicas
Antes da abertura do seminário, entre os dias 8 e 10 de agosto, cerca de 30 lideranças das Casas de Cultura Hip Hop participarão de grupos de trabalho para estruturar a rede nacional, discutir sustentabilidade, educação e enfrentamento da emergência climática nas periferias.
Essas discussões resultarão na Carta de Brasília da C3H2B, documento que reunirá as principais demandas do movimento e será encaminhado ao Governo Federal. Um dos temas prioritários é o fortalecimento da Escola Nacional da Cultura Hip-Hop, programa que busca integrar os elementos do hip-hop em escolas e comunidades como ferramenta de educação, combate à evasão escolar e transformação social.
Programação cultural e encerramento com festival
No dia 11, a programação inclui a palestra “Os 53 anos do Hip-Hop: Da Resistência nas Ruas à Política de Estado”, que traça a trajetória do movimento desde o Bronx, nos Estados Unidos, até seu reconhecimento como política pública no Brasil.
O encerramento, no dia 12, será com o Festival C3H2B, aberto ao público, que reunirá apresentações de rap, DJs, batalhas e rodas de breaking (cyphers), além de intervenções de grafite ao vivo na área externa da Casa GOG.
