Operação Tântalo II: Investigação sobre corrupção em Turilândia
A 3ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Maranhão trouxe à tona uma investigação do Ministério Público que revela a atuação de uma organização criminosa dentro da Prefeitura e da Câmara Municipal de Turilândia, localizada a 157 km de São Luís. O grupo, que inclui o prefeito Paulo Curió (União Brasil), a vice-prefeita Tânia Mendes e vários vereadores, é acusado de desviar aproximadamente R$ 56 milhões de recursos públicos, principalmente das áreas de Saúde e Assistência Social.
Os desdobramentos dessa investigação culminaram na Operação Tântalo II, deflagrada na última segunda-feira (22). Além do prefeito e da vice-prefeita, a operação também envolve empresários, servidores e dez vereadores, dos quais cinco ainda permanecem foragidos.
Como funcionava o esquema de corrupção
De acordo com o Ministério Público do Maranhão (MP-MA), os recursos desviados foram obtidos por meio de empresas fictícias criadas pelo prefeito e seus aliados. O esquema operava de maneira hierárquica, definindo claramente as funções entre os agentes políticos, operadores financeiros e empresários envolvidos. As práticas ilegais relatadas incluem organização criminosa, fraude a licitação, corrupção ativa e passiva, peculato e lavagem de dinheiro, ocorrendo durante o mandato de Paulo Curió, que vai de 2021 a 2025.
Papéis dos principais envolvidos
Prefeito Paulo Curió
No centro do esquema, o prefeito Paulo Curió é caracterizado como o líder e destinatário da maior parte dos valores desviados. Ele era responsável por:
- Ordenar despesas municipais.
- Direcionar licitações.
- Realizar pagamentos com recursos públicos sem a devida comprovação de serviços prestados.
O MP-MA detalha que o esquema incluía a prática de “venda de notas fiscais”, onde empresas contratadas emitiam notas sem a correspondente execução de serviços, devolvendo a maior parte dos valores ao grupo político.
Vice-prefeita Tânia Mendes
Tânia Mendes foi identificada como parte do núcleo operacional da organização criminosa, especialmente ligada a empresas utilizadas no esquema. Sua participação incluiu:
- Movimentar e circular recursos desviados.
- Facilitar a lavagem de dinheiro, conferindo uma aparência de legalidade às contratações.
Ex-vice-prefeita Janaina Lima
A ex-vice-prefeita Janaina Lima é considerada uma peça-chave do esquema, atuando como controladora da empresa Posto Turi, que recebeu a maior parte dos recursos públicos. Ela era procuradora da empresa e ajudava a reter percentuais dos contratos, com diálogos mostrando que tratava os valores retidos como um “imposto” do esquema.
Vereadores como cúmplices
A Câmara Municipal de Turilândia também foi implicada no esquema de corrupção. Os vereadores teriam sido cooptados e, em troca de pagamentos, garantiam apoio ao prefeito, além de se omitir de fiscalizar as irregularidades.
Wandson Jonath Barros: o operador financeiro
Wandson Barros é descrito como o principal operador financeiro do esquema, responsável pela movimentação do dinheiro, distribuição de valores entre políticos e empresas e criação de empresas de fachada. Ele também recebia uma porcentagem dos contratos fraudulentos e atuava como o “braço direito” do prefeito.
Consequências e prisões
Após as prisões, Paulo Curió e Tânia Mendes foram levados para a Unidade Prisional de Ressocialização de Pedrinhas, em São Luís, enquanto os vereadores receberam medidas cautelares, como prisão domiciliar ou uso de tornozeleira eletrônica. O promotor do GAECO, Fernando Berniz, explicou que essas medidas foram adotadas para não interromper o funcionamento administrativo em Turilândia, já que o presidente da Câmara terá que assumir a função de prefeito.
Reações dos investigados
Em nota, a vice-prefeita Tânia Mendes expressou surpresa com a operação e se colocou à disposição para colaborar com as investigações, ressaltando que sua atuação sempre foi pautada pela integridade. A primeira-dama do município, Eva Dantas, também se manifestou, afirmando que compareceu espontaneamente às autoridades, confiando na Justiça. A defesa do prefeito Paulo Curió destacou que ele está seguindo as determinações judiciais e disponível para esclarecimentos. A comunicação com as defesas dos demais suspeitos ainda está pendente.
