Retorno Adiado: A Situação das Famílias A atingidas
SÃO LUÍS – As 11 famílias que precisaram deixar suas casas na Vila Maranhão, uma área rural de São Luís, continuam sem data definida para o retorno. Até esta sexta-feira (20), o retorno, previsto em um acordo após um vazamento, foi postergado para a manhã deste sábado (21). A empresa Valen Fertilizantes ficará responsável pelo transporte dos moradores.
Equipes da Defesa Civil do Estado, junto à TV Mirante, estão monitorando as reparações na via e a cobertura da área impactada pelo vazamento do líquido verde. Apesar das intervenções, moradores que permaneceram na região relatam que o forte odor químico ainda persiste, intensificando-se sempre que o material é movimentado.
Impactos do Vazamento e Riscos à Saúde dos Moradores
A comunidade, que abriga cerca de 71 famílias, convive com o despejo irregular de produtos químicos desde 2022. A situação se agravou no dia 2 de fevereiro deste ano, quando um vazamento de sulfato de amônia e ureia contaminou duas ruas, liberando partículas e gases tóxicos no ar.
Os relatos sobre os impactos na saúde são alarmantes, envolvendo:
- Problemas respiratórios: Agravamento de casos de asma, com registros de internação em UTI.
- Problemas dermatológicos: Coceiras e lesões na pele devido ao contato com o material ou água contaminada.
- Sintomas gerais: Dores de cabeça constantes, atribuídas ao odor insuportável.
- Impacto ambiental: Morte de plantações e animais na região afetada.
O geógrafo Marcelino Farias alerta que a exposição contínua a esses fertilizantes pode causar desde processos infecciosos até o risco de câncer.
Medidas Judiciais e Ações da Valen Fertilizantes
Na audiência realizada na última quinta-feira (19), a Justiça avaliou as ações que estão sendo tomadas pela Valen Fertilizantes para mitigar os impactos do vazamento na Vila Maranhão. Entre as determinações estão:
- Atividades restritas a áreas internas e cobertas;
- Implantação de sistemas de contenção e uma estação de tratamento e decantação;
- Fornecimento contínuo de água mineral e a instalação de novos reservatórios;
- Recuperação da via afetada pelo vazamento.
Atualmente, os moradores estão tendo que percorrer cerca de 500 metros para alcançar a caixa d’água com 15 mil litros, instalada pela empresa, o que continua a gerar dificuldades no abastecimento em algumas ruas.
Qualidade da Água e do Solo: Relatos da Sema
A Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) informou que já enviou ao Ministério Público laudos ambientais e documentos resultantes da vistoria realizada no dia 10 de fevereiro, para as ações necessárias. A situação permanece crítica e a expectativa é que as medidas adotadas tragam uma solução definitiva para o problema e, principalmente, assegurem a saúde e o bem-estar dos moradores.
