Os Vilarejos Ocultos nos Lençóis Maranhenses
Localizados a 260 km de São Luís, pequenos vilarejos feitos de palha e madeira se escondem entre as dunas e lagoas cristalinas dos Lençóis Maranhenses. Essas comunidades são verdadeiros oásis, onde cerca de 200 moradores vivem da pesca e acolhem visitantes com redes armadas e peixe fresco assado no fogão a lenha.
Embora sua aparência possa sugerir um deserto, o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses é muito mais que isso. Com uma precipitação anual em torno de 1.600 mm, segundo o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), a região recebe bem mais chuva do que os 250 mm normalmente associados a climas desérticos. Essa abundância de água forma milhares de lagoas temporárias em tons vibrantes de azul e verde, entre as dunas.
O parque, criado em 1981, abrange 155 mil hectares nos municípios de Barreirinhas, Santo Amaro do Maranhão e Primeira Cruz. Recentemente, em julho de 2024, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) declarou os Lençóis como Patrimônio Natural da Humanidade durante a 46ª sessão do Comitê do Patrimônio Mundial em Nova Délhi, fazendo desse o primeiro título dessa categoria concedido ao Brasil em 23 anos.
Nas lagoas, traíras conseguem sobreviver enterradas nas camadas de lama durante a seca, ressurgindo com o retorno das chuvas. O parque também abriga a tartaruga-pininga, uma espécie endêmica que só existe nesse pedaço do Maranhão.
Quem São os Habitantes das Dunas?
A vila de Queimada dos Britos, localizada no coração do parque, é acessível apenas a pé ou por veículos 4×4 autorizados. Nesta comunidade, cerca de 200 pessoas vivem, em sua maioria descendentes de Manuel Brito, um cearense que, no início do século XX, fugiu da seca e encontrou um oásis verde em meio às vastas areias. A subsistência dos moradores gira em torno da pesca, criação de gado e turismo.
Os habitantes carinhosamente chamam seu lar de “ilha”, cercada por dunas que se movem com os ventos. Algumas famílias precisam mudar suas moradias periodicamente, pois a areia avança e cobre as construções de madeira e palha. A eletricidade, quando disponível, provém de geradores ou painéis solares. Foi nesse cenário que o filme *Casa de Areia* (2005), de Andrucha Waddington, reuniu as atrizes Fernanda Montenegro e Fernanda Torres pela primeira vez no cinema.
Outros oásis da região, como Baixa Grande, às margens do rio Negro, e Betânia, próxima ao rio Alegre, também oferecem hospedagem em redários e pratos típicos preparados por famílias locais.
Atividades Imperdíveis nos Lençóis Maranhenses
Embora os tradicionais passeios de 4×4 sejam a porta de entrada para o parque, existem experiências únicas para os que buscam uma imersão na natureza. Entre as principais atividades, destacam-se:
- Circuito Lagoa Azul e Lagoa Bonita: passeios de meio dia em jardineiras saindo de Barreirinhas, proporcionando um mergulho nas lagoas mais acessíveis do parque.
- Travessia a pé (3 a 5 dias): trekking de Atins até Santo Amaro, passando por Baixa Grande, Queimada dos Britos e Betânia, com pernoites nas casas de moradores.
- Passeio pelo rio Preguiças: lanchas voadoras descem o rio com paradas em Vassouras, no farol de Mandacaru (54 m de altura) e na praia de Caburé.
- Kitesurf em Atins: as condições ideais de vento e águas rasas fazem desta vila um dos melhores destinos para a prática do esporte no Brasil.
- Lagoas de Santo Amaro: com acesso pelo lado oeste do parque, estas lagoas maiores e menos movimentadas, como a Lagoa da Gaivota, são perfeitas para quem busca tranquilidade.
Para aqueles que desejam explorar os Lençóis Maranhenses, um vídeo do canal Rolê Família, já com mais de 99 mil visualizações, apresenta um guia das localidades de Santo Amaro, Barreirinhas e Atins, repleto de dicas imperdíveis.
Quando Visitar e O Que Esperar
Com um clima tropical e duas estações bem definidas, a temperatura média anual da região é de cerca de 26 °C, e os ventos constantes proporcionam alívio do calor nas dunas. Cada estação oferece uma experiência única, tornando a visita sempre especial.
Como Chegar aos Lençóis Maranhenses
A rota mais frequente para chegar ao parque é a partir de São Luís, a capital do Maranhão, que possui um aeroporto com voos diretos de várias capitais. Daí, são aproximadamente 260 km por estrada asfaltada (BR-135 e MA-402) até Barreirinhas, levando em torno de 4 horas de carro, van ou ônibus. Quem vem do Piauí pode optar pelo Aeroporto de Parnaíba, seguindo por terra até Paulino Neves, parte da Rota das Emoções, que conecta Jericoacoara, o Delta do Parnaíba e os Lençóis. Alternativamente, Santo Amaro do Maranhão, situado a 232 km de São Luís, é uma opção para quem busca lagoas maiores e menos movimentadas.
Os Lençóis Maranhenses são mais do que um simples cartão-postal de dunas e lagoas. Aqui, encontramos o lar de famílias que enfrentam o avanço da areia e recebem os visitantes com pratos típicos, como o peixe frito no fogão a lenha. Correr por essas dunas e explorar os oásis é uma experiência única, onde a areia se encontra com a água doce, formando o maior campo de dunas da América do Sul.
