Dados Alarmantes de Violência Doméstica
Em Imperatriz, a segunda maior cidade do Maranhão, a Delegacia Especializada da Mulher tem registrado uma média de quatro denúncias diárias de violência contra a mulher. Desde o início de 2023, até o momento, já foram apurados 220 novos casos. Estes números refletem uma preocupação crescente com a segurança feminina na região.
No ano de 2025, a cidade contabilizou mais de mil inquéritos relacionados à violência doméstica, com 536 deles concluídos naquele mesmo ano. Nos dois primeiros meses de 2023, 13 agressores foram detidos em decorrência de crimes contra a mulher, incluindo um caso em que o suspeito é investigado por feminicídio.
As infrações apuradas abrangem diferentes tipos de violência, como a física, psicológica, sexual, moral e patrimonial, todas previstas na Lei Maria da Penha e em outros artigos do Código Penal.
Ameaças e Violência Psicológica em Alta
Conforme as informações fornecidas pela Polícia Civil, o crime mais frequentemente denunciado pelas mulheres é o de ameaça, que frequentemente é percebido de forma sutil e pode demorar a ser reconhecido como um perigo iminente. A delegada Juliana Freitas destaca que “o delito de maior ocorrência é o de ameaça. Essa ameaça, por vezes, é sutil e velada, levando a mulher a demorar na identificação do perigo. A violência psicológica, atualmente, também tem crescido de forma alarmante.”
Além disso, a delegada menciona que há também as “vias de fato”, que, embora não sejam classificadas como lesões corporais, são contravenções penais significativas no contexto da violência doméstica, sendo intensamente investigadas pela delegacia.
Atendimento Integral na Casa da Mulher Maranhense
O atendimento às vítimas é realizado na Casa da Mulher Maranhense, um espaço que congrega diversos órgãos de proteção, oferecendo um suporte abrangente para aquelas que buscam fazer suas denúncias, evitando que a vítima precise se deslocar entre diferentes instituições pela cidade. Este local abriga o Centro de Referência de Atendimento à Mulher, a Patrulha Maria da Penha da Polícia Militar, a Promotoria de Justiça da Mulher e a Vara Especial de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher da Comarca de Imperatriz.
Apesar das iniciativas de suporte e proteção, muitas mulheres ainda enfrentam barreiras significativas ao tentarem fazer denúncias, sendo o medo um dos maiores obstáculos. A psicóloga Iana Freitas observa que fatores como a dependência emocional podem paralisar as mulheres. “Muitas vezes, fomos ensinadas a cuidar dos outros e, ao nos perdermos nesse papel, acabamos nos anulando e não percebendo a dependência que isso gera. A manipulação emocional, conhecida como ‘gaslighting’, é uma forma de violência que se insinua nesse contexto”, explica Iana Freitas.
Compreendendo a Violência Contra a Mulher
É fundamental entender as diversas formas de violência contra a mulher, que incluem:
- Violência física: Lesões à integridade ou saúde corporal da mulher;
- Violência psicológica: Danos à saúde emocional e mental, restringindo a liberdade;
- Violência sexual: Coação ou intimidação para relações sexuais não desejadas;
- Violência patrimonial: Retenção, subtração ou destruição de bens e direitos;
- Violência moral: Calúnia, difamação ou injúria.
Para aquelas que se encontram em situação de violência e desejam denunciar, é essencial buscar apoio e orientação através dos canais adequados.
