O Legado do Afundamento do Solo em Maceió
Você se lembra da crise provocada pelo afundamento do solo devido à extração de sal-gema em Maceió? Esse evento permanece na lembrança de muitos, especialmente das cerca de 60 mil pessoas que foram forçadas a abandonar suas casas em bairros que, historicamente, representavam o coração cultural da cidade.
Nesta semana, o Ministério Público Federal lançou o documentário “Além do Afundamento – A Memória Persiste”, que captura a luta de moradores e especialistas na defesa dos direitos dos afetados. O filme apresenta um olhar sensível sobre as consequências sociais e culturais dessa tragédia, enfatizando a mobilização das comunidades afetadas.
Um dos casos retratados é o do grupo cultural Coco de Roda Reviver, que costumava ensaiar na Praça Lucena Maranhão, localizada no bairro Bebedouro, um dos mais antigos de Maceió. Com a realocação forçada dos integrantes, a praça, antes cheia de vida, agora se encontra em silêncio, simbolizando a perda da vibrante cena cultural que uma vez floresceu ali. Os membros da comunidade foram deslocados para áreas mais distantes, e alguns até mudaram para cidades vizinhas.
O documentário inclui o depoimento de José Roberto Júnior, conhecido como Betinho, coordenador do grupo. Ele expressa a dor da separação do seu espaço cultural: “A gente sente muita saudade. A gente hoje se sente solitário. Solitário porque quando a gente estava ensaiando na praça, era o Fafá Júnior, era a comunidade toda, as famílias, as crianças tudo brincando na Praça Lucena Maranhão. Então a gente era movido na cultura, todos os jovens eram envolvidos em todas as danças folclóricas do bairro.”
Embora o Coco de Roda Reviver tenha conseguido se manter ativo, muitos outros coletivos culturais não tiveram a mesma sorte, sendo obrigados a interromper suas atividades devido aos impactos da tragédia.
Com uma duração de 22 minutos, o documentário “Além do Afundamento – A Memória Persiste” está disponível no canal do Ministério Público Federal no YouTube e revela também iniciativas de compensação. O filme mostra o plano de ações que inclui mais de 40 medidas destinadas a mitigar os efeitos da tragédia, além da criação do Inventário Participativo do Patrimônio Imaterial, que mapeou saberes e expressões culturais em mais de 470 locais de memória coletiva.
Neste sábado (7), os moradores das comunidades Flexais e Marques de Abrantes organizarão uma caminhada para lembrar aqueles que perderam seus lares em decorrência das ações da Braskem. A empresa, por sua vez, afirma ter atendido todos os moradores, proprietários e comerciantes de 14,5 mil imóveis por meio do Programa de Compensação Financeira. Até janeiro deste ano, foram apresentadas mais de 19 mil propostas de compensação, com um índice de aceitação superior a 99%.
