Histórias de Superação na UFMA
A trajetória de Aslan Calebe Azevedo Diniz torna-se um verdadeiro símbolo de superação no primeiro dia da colação de grau da Universidade Federal do Maranhão (UFMA). Como formando do curso de Bacharelado Interdisciplinar em Ciência e Tecnologia (BICT), Aslan expressa a experiência com uma frase que ressoa entre os colegas: “A gente não termina, a gente vence”.
Embora o curso tenha duração oficial de três anos, Aslan explica que sua jornada até a conquista do diploma foi repleta de desafios, descobertas e decisões. No total, ele dedicou quatro anos ao aprendizado intenso, explorando diversas áreas que o curso oferece, desde Engenharia Civil até Engenharia Computacional. “Foi gratificante ter contato com profissionais de alto nível; nossos professores são extremamente renomados. Graças ao BICT, muitas oportunidades de carreira se abriram para mim. Sou muito grato por ter participado deste curso e por estar finalizando essa etapa”, compartilha.
Com o diploma em mãos, Aslan já traçou seus próximos passos: deseja ingressar no segundo ciclo de formação, direcionando sua carreira para a área de Computação. Para sua família, essa conquista vai além de um simples diploma. É a confirmação de um esforço coletivo, repleto de resistência e esperança. O pai, Ronald de Jesus, transparece sua emoção ao refletir sobre o momento: “A emoção é única. Viemos de momentos iniciais de crescimento na família e é maravilhoso ver mais um aluno negro, oriundo de classes mais baixas, se formando na UFMA”.
A mãe de Aslan também se mostra emocionada. “É um sentimento de dever cumprido; para nós, pais e familiares, é um grande orgulho ver um filho se formar. Nossa realidade é desafiadora, mas conseguimos. Já temos uma filha formada em Direito e agora o Aslan em Ciência e Tecnologia. Só tenho gratidão a Deus e desejo que ele tenha muito sucesso e realizações na carreira”, afirma.
Um Momento de Celebração
A solenidade de colação de grau, que envolveu o Centro de Ciências Humanas (CCH) e o Centro de Ciências Exatas e Tecnologia (CCET), referente ao segundo semestre de 2025, foi conduzida pelo reitor da UFMA, Fernando Carvalho Silva. Ele ressaltou a importância do evento para a universidade e a sociedade. “Estamos entregando ao mercado profissionais qualificados prontos para atender às demandas do nosso estado e do país. Parabenizo todos os formandos e suas famílias, que também desempenharam um papel fundamental nessa trajetória”, declarou.
Representando os paraninfos, a professora Cíndia Brustolin, do curso de Ciências Sociais, fez um discurso tocante. Ela destacou a ampliação da pluralidade na universidade pública, impulsionada por políticas de inclusão, e ressaltou que para muitos estudantes, alcançar o ensino superior é um marco histórico. “A universidade se torna mais diversa com as cotas sociais e raciais, e mesmo com os desafios que ainda enfrentamos, não podemos esquecer que a educação pública de qualidade foi, por muito tempo, um privilégio. Ao chegarem à formação superior, acreditem no trabalho coletivo, formem alianças e ocupem os espaços”, aconselhou.
Diplomas como Ferramentas de Transformação
Durante seu discurso, a professora Brustolin também desejou que os diplomas se tornem instrumentos de transformação social. “Que esses ‘canudos’ sejam força nas lutas por emancipação e dignidade e sempre repletos de afeto”, concluiu.
Entre os formandos, diversas histórias refletem a dedicação necessária para essa conquista. Cleudivania Silva Costa expressa seus sentimentos em palavras simples: felicidade e gratidão. “Foram quatro anos e meio de muito esforço, mas me sinto realizada. Agradeço aos meus professores da UFMA. Minha intenção agora é seguir com um mestrado e, em seguida, um doutorado, mas também quero atuar na minha área”, disse.
Outra história inspiradora é a de Suziane Ribeiro, formanda em História e premiada com o Mérito Acadêmico. Para ela, essa conquista é o resultado de anos equilibrando trabalho e estudo. “Foi um grande sacrifício estar aqui. Trabalhar e estudar ao mesmo tempo não é fácil, mas hoje estou aqui por conta de muito esforço e sou grata a Deus por isso”, compartilha.
Natural do litoral do Maranhão, Suziane se mudou para São Luís para estudar. “Minha mãe ficou no interior, e eu vim morar com a minha tia. Aprendi a me locomover pela cidade, e o trabalho no IBGE facilitou muito, pois gerações de pesquisa foram conciliadas com os estudos”, relembra. Com o diploma nas mãos, a emoção a envolve: “Estou ansiosa e feliz ao mesmo tempo. Quem diria que eu estaria aqui hoje?”, finaliza.
O Valor do Reconhecimento Acadêmico
Durante a cerimônia, diversos estudantes receberam o Prêmio de Mérito Acadêmico, uma homenagem àqueles que se destacaram ao longo da graduação, conforme a resolução nº 3.391 do CONSEPE. O prêmio é mais do que uma conquista acadêmica; simboliza a dedicação e persistência de estudantes que, frequentemente, enfrentam obstáculos sociais e econômicos para finalizar seus estudos.
A celebração dos formandos foi marcada por sorrisos, abraços e muitos registros fotográficos, evidenciando que a colação de grau não é apenas o encerramento de uma fase, mas o início de novas aspirações profissionais e pessoais. Histórias como as de Aslan, Suziane, Cleudivania e tantos outros atestam que a universidade pública é, de fato, um espaço de transformação, onde trajetórias antes improváveis se tornam realidade.
