Momento decisivo para a FMF
SÃO LUÍS – Na próxima segunda-feira, 16 de março, às 9h, acontecerá uma audiência de conciliação virtual envolvendo representantes da Junta Interventora da Federação Maranhense de Futebol (FMF), da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e outras partes interessadas. O encontro busca resolver o impasse administrativo que preocupa a CBF, que teme que a intervenção atual na FMF cause punições ao futebol brasileiro. Além disso, a audiência tem como objetivo validar a realização de novas eleições para definir a liderança da entidade.
O receio de sanções por parte da CBF surgiu após a FIFA ter, segundo informações do portal GE, enviado uma carta alertando sobre as consequências da interferência de órgãos externos nas gestões das federações. A CBF insiste na necessidade de autonomia para conduzir a transição administrativa na FMF, a fim de evitar complicações adicionais.
Intervenção Judicial: Contexto Atual da FMF
Atualmente, a FMF encontra-se sob intervenção judicial, sendo gerida por uma Junta Interventora liderada pela advogada Susan Lucena. Desde 4 de agosto de 2025, a Junta tem um prazo de 90 dias para efetuar a transição administrativa da entidade que rege o futebol maranhense. No entanto, uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) suspendeu temporariamente quaisquer mudanças estatutárias ou a convocação de novas eleições.
Além da CBF e da FMF, a audiência contará com a presença de representantes do STF e do advogado do presidente afastado da Federação, Antônio Américo. Este foi afastado por determinação judicial para que a Junta Interventora assumisse o comando, em decorrência de uma Ação Civil Pública movida pelo Ministério Público do Maranhão (MPMA), que encontrou evidências de irregularidades na gestão financeira da FMF, bem como a falta de explicações sobre a criação do Instituto Maranhense de Futebol (IMF).
Crise Administrativa: Ações Judiciais e Efeitos Colaterais
O juiz Douglas de Melo Martins, da Vara de Interesses Difusos e Coletivos de São Luís, determinou em 4 de agosto do ano passado o afastamento cautelar de toda a diretoria da FMF, incluindo o presidente Antônio Américo, e do IMF, presidido por Sílvio Arley Brito Fonseca. Essa decisão foi parcialmente deferida, atendendo ao pedido de tutela de urgência do MPMA.
A advogada Susan Lucena Rodrigues foi nomeada interventora da FMF, com a responsabilidade de conduzir a transição administrativa em até 90 dias. Com uma trajetória marcante como diretora da Casa da Mulher Brasileira, que oferece acolhimento a mulheres em situação de violência, Susan ganhou autonomia para avaliar a situação financeira e documental da FMF e do IMF.
Em coletiva de imprensa realizada em 14 de agosto de 2025, Susan apresentou os integrantes da Junta Interventora, que conta com um total de seis membros, sendo três mulheres, em cumprimento a um requisito da advogada. Além de Susan, fazem parte da equipe a advogada Yanne Milano e Mariana Mesquita, além dos advogados Alain Kazadi e Magno Moraes, e do ex-vice presidente do Tribunal de Justiça Desportiva do Maranhão, Mário Lobão.
Relatórios e Diretrizes: A Transparência como Prioridade
Na ocasião, a Junta Interventora revelou detalhes sobre a situação orçamentária da entidade, revelando saques que somaram aproximadamente R$ 88 mil, classificados como “movimentações financeiras suspeitas”. Antes da manifestação da Junta, a CBF apresentou Embargos de Declaração contra a decisão judicial que afastou a diretoria da FMF, alegando que a ordem judicial desconsiderou aspectos fundamentais de autonomia das organizações esportivas.
No dia 20 de agosto, o desembargador Marcelo Carvalho Silva definiu diretrizes para o trabalho da interventora Susan Lucena, que inclui a divulgação de relatórios mensais e a realização de auditorias independentes referentes aos exercícios de 2020 a 2024. Essas medidas visam garantir a transparência necessária em meio à crise administrativa.
Decisões do STF e o Futuro da FMF
Em dezembro do ano passado, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu sobre a Reclamação Constitucional (RCL 85.536) proposta por Antônio Américo, que questionou a intervenção na FMF. O ministro Flávio Dino, responsável pelo caso, decidiu manter Susan Lucena como administradora provisória, além de confirmar o afastamento de Antônio Américo e de outros 16 dirigentes da FMF. Uma audiência de conciliação foi determinada para ocorrer até março de 2026, colocando mais uma vez em pauta o futuro da Federação Maranhense de Futebol.
