Explorando o Potencial da Indústria Pesqueira Maranhense
O Maranhão, com a segunda maior costa do Brasil e o maior ecossistema de manguezais do país, possui um potencial estratégico na pesca industrial que tem sido negligenciado por décadas. Infelizmente, apesar dessa riqueza natural, o estado ainda opera predominantemente sob um modelo artesanal. A transição para uma escala industrial na pesca não deve ser vista apenas como um desejo do setor, mas como uma necessidade econômica que exige uma integração logística robusta, além de uma visão de comércio que abarca o âmbito regional, nacional e internacional.
Atualmente, a biodiversidade marinha de Maranhão é explorada principalmente por indústrias de outros estados, o que representa uma significativa perda de oportunidades. O estado não só exporta matéria-prima bruta de maneira informal, como também importa produtos processados, frequentemente de regiões como Santa Catarina e Ceará. Como resultado, o Maranhão perde em arrecadação de ICMS, na geração de empregos e na consolidação de sua cadeia produtiva.
Para a criação de um polo pesqueiro de excelência, a atuação do poder público é fundamental. Ele deve atuar como um indutor e facilitador, estabelecendo um ecossistema de negócios que atenda a alguns pilares essenciais. O primeiro deles é a infraestrutura e logística, que inclui a garantia de calado adequado para embarcações e a modernização de terminais pesqueiros, além de uma cadeia de frio eficiente que ligue o desembarque ao Porto do Itaqui e ao Aeroporto de São Luís.
Outro pilar crucial é a segurança jurídica e a desburocratização. A lentidão na concessão de licenças ambientais e o uso de recursos hídricos afastam potenciais investimentos. Para atrair capital, é necessária uma agilidade regulatória e incentivos fiscais estratégicos, como a desoneração para embarcações e equipamentos destinados a indústrias de processamento.
A capacitação do capital humano e a promoção da inovação também são aspectos fundamentais. A criação de cursos de capacitação focados no setor pesqueiro e na gestão de segurança alimentar é urgente e essencial para transformar o pescador artesanal em um profissional para a moderna indústria pesqueira
A implementação desse polo pesqueiro pode promover uma desconcentração produtiva, beneficiando cidades como Cururupu, Carutapera e Tutóia, que têm o potencial de se tornarem hubs de processamento. Isso não só oxigenaria a economia da Baixada Maranhense e do Litoral Ocidental, mas também contribuiria para projetos de desenvolvimento sustentável a longo prazo.
Embora haja interesse de investidores privados, a lentidão institucional é um desafio significativo. A dificuldade de comunicação com órgãos públicos locais resulta na migração de projetos robustos para estados vizinhos, onde a governança econômica é mais ágil e capaz de lidar com planos complexos.
O Maranhão não pode mais se permitir ser espectador da exploração de suas próprias riquezas. O desenvolvimento da pesca marítima industrial é essencial para converter seu potencial geográfico em PIB (Produto Interno Bruto), transformando oportunidades em realidades sociais. Para que o estado não perca suas riquezas pesqueiras para os vizinhos, é imprescindível que o desenvolvimento econômico seja abordado como uma política de Estado, com objetivos claros, segurança jurídica e agilidade, conforme as exigências do mercado.
