Desenvolvendo a Rede de Comitês Populares Ambientais
Neste mês de outubro, o Ministério da Saúde deu um importante passo ao lançar o projeto “Mudanças Climáticas, Saúde e Alimentação – Rede de Comitês Populares Ambientais em Territórios das Periferias”. Este projeto ambicioso, que conta com um investimento de R$ 3,5 milhões, busca promover um diálogo efetivo e ações concretas para enfrentar os impactos da crise climática na saúde e na alimentação. O evento de lançamento ocorreu nesta segunda-feira (24) na Fiocruz, em Recife (PE), e marca o início de um trabalho colaborativo em diversas comunidades.
A iniciativa é direcionada a representantes de movimentos sociais e à sociedade civil, englobando indivíduos com formação desde o nível fundamental até o superior, que atuam ou moram nas regiões da Paraíba e Pernambuco. Estudantes de graduação e pós-graduação, assim como professores de instituições de ensino públicas e de pesquisa, também estão convidados a participar e contribuir para a construção desse projeto.
A representante do Ministério da Saúde, Lívia Méllo, ressaltou a relevância de incluir a população no processo de criação de soluções frente às adversidades ambientais. “Esse projeto é fundamental, pois, em geral, a resposta vem somente após os desastres. A pandemia, por exemplo, é uma evidência da crise provocada pela interferência humana no meio ambiente. É essencial valorizar as experiências que as comunidades já possuem nesse contexto e incorporá-las como inovações sociais no Sistema Único de Saúde (SUS)”, explicou.
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Criando Comitês Populares para Ação Comunitária
Além de mitigar os efeitos da crise climática na saúde e na alimentação, o projeto tem como meta estabelecer 135 Comitês Populares Ambientais nas periferias das regiões metropolitanas, sendo 90 em Pernambuco e 45 na Paraíba. A ideia é promover uma articulação robusta entre clima, saúde e alimentação, fundamentada nos princípios da educação popular.
Esses comitês desempenharão um papel vital ao fomentar a solidariedade entre a comunidade e a vigilância em saúde popular, estabelecendo um diálogo eficaz entre conhecimentos técnicos e populares. A proposta também visa transformar diretrizes da Política Nacional de Educação Permanente em Saúde (PNEPS) e da Política Nacional de Educação Popular em Saúde (PNEPS-SUS) em ações práticas.
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Para garantir a implementação dessa estrutura, o projeto se compromete a capacitar 27 estudantes de graduação e pós-graduação. Esses alunos atuarão como monitores responsáveis por preparar 270 Agentes Populares Ambientais, apoiando no planejamento e na supervisão das atividades nas comunidades.
Capacitação e Envolvimento da Comunidade
A formação dos Agentes Populares Ambientais terá uma carga horária de 168 horas. Cada comitê contará com dois Agentes e até dez participantes da comunidade local. Cada monitor ficará encarregado de supervisionar cinco comitês, acompanhando de perto até dez agentes.
Os agentes desempenharão um papel central na criação e consolidação da rede, sendo responsáveis pelo planejamento e coordenação das ações nas comunidades. Eles também desenvolverão estratégias de comunicação popular, fundamentais para aumentar a visibilidade das questões locais e combater a desinformação sobre saúde e clima.
A agente popular ambiental e estudante de artes, Alice Albuquerque, moradora do Centro de Recife, expressou suas expectativas em relação ao projeto: “Esse é um espaço para ouvir a comunidade, quem realmente conhece os desafios diários. Nosso papel é construir, em conjunto, soluções coletivas, e não apenas transmitir conhecimento.”
A seleção dos agentes será feita por movimentos sociais, sendo necessário que tenham pelo menos 16 anos, disponibilidade de tempo, experiência em educação popular e atuação em grupo, além de envolvimento com as questões climáticas. O projeto é coordenado pelo Instituto Aggeu Magalhães (IAM/Fiocruz PE), em parceria com o Mãos Solidárias, a Universidade de Pernambuco (UPE) e a Universidade Federal da Paraíba (UFPB).
