Evento Celebrando a Cultura DEF
A cultura DEF irrompe pelo território brasileiro, criando espaços importantes para a expressão e representação de pessoas com deficiência. O conceito ‘cultura DEF’ surgiu entre os artistas com deficiência como uma forma de legitimar suas vivências, destacando a riqueza das experiências e a diversidade de corpos. De 6 a 10 de maio, o Itaú Cultural, em São Paulo, sedia a mostra \ENTRE\, que contará com uma programação variada, incluindo atividades, oficinas, e debates, conduzidos por artistas de sete estados brasileiros. Tudo isso sob a curadoria colaborativa da artista e ativista cultural Brisa Marques.
O evento é também uma oportunidade de dialogar sobre acessibilidade, oferecendo interpretação em Libras (Língua Brasileira de Sinais) e audiodescrição. Mais informações e ingressos estão disponíveis no site oficial do Itaú Cultural.
Brisa Marques enfatiza a importância do reconhecimento da cultura DEF dentro do vasto espectro cultural. “O corpo fala muito sobre nossa identidade e, ao entender a cultura DEF, passamos a reconhecer a pluralidade de modos de existência e criação que vão além das normas estabelecidas pela heteronormatividade”, afirma.
A curadora destaca ainda que “entender a cultura DEF amplia nossa visão sobre arte e a vida em sociedade, conectando questões de classe, gênero, raça, idade e território. Por isso, é fundamental que a acessibilidade se torne parte integrante de nossa concepção cultural, sempre a partir de uma perspectiva anticapacitista”.
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Além disso, Brisa ressalta que a cultura DEF não deve ser vista apenas sob a ótica biológica. “Trata-se de uma questão social e política. As expressões artísticas de pessoas com deficiência trazem uma nova dimensão à arte, incluindo dança, música, teatro e diversas formas de performance, que refletem a complexidade de nossas sociedades”.
O encontro na mostra \ENTRE\ é essencial para fomentar a convivência e o intercâmbio entre artistas de diferentes regiões e realidades. “Essa troca pode gerar transformações tanto nas vivências individuais quanto na estrutura social como um todo”, conclui a curadora.
O projeto \ENTRE\ foi criado em 2015 com o intuito de promover a arte acessível, centrando-se nos artistas DEF por meio de editais de mentoria, mesas redondas e mostras. A edição deste ano foi reformulada para ampliar as possibilidades de articulação entre as diversas linguagens artísticas.
Um destaque é o portfólio coletivo de artistas com deficiência, disponível no site itaucultural.org.br/arteeacesso, que oferece um mapeamento dos trabalhos de artistas DEF em diferentes áreas de expressão. Além disso, o ‘Dossiê Acessibilidade’ está disponível em issuu.com, apresentando informações sobre boas práticas e reflexões sobre acessibilidade cultural, com um enfoque no protagonismo das pessoas com deficiência.
Entrevista com Estela Lapponi
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Fonte: edemossoro.com.br
Em uma entrevista recente, a performer, pesquisadora e mulher com deficiência Estela Lapponi destacou que o cenário atual da cultura está vendo um aumento significativo de artistas DEF que estão criando suas próprias estéticas e ocupando espaços na arte contemporânea.
Programação Variada e Inclusiva
A programação da mostra \ENTRE\ é diversa e inclui lançamentos de livros, oficinas e apresentações artísticas. O lançamento do livro “Perê”, de Daniel Moraes, ocorrerá no dia 6 de maio e contará com uma conversa mediada por Brisa Marques. O livro é uma obra ilustrada que dialoga com o mito do Saci-Pererê, explorando temas de resistência e identidade.
Outro destaque é a apresentação “Sonora Brasiliana”, marcada para o mesmo dia, com André Vicente, que promete oferecer uma experiência musical rica, entrelaçando narrativas e melodias inspiradas em suas vivências.
A oficina “Corpo, Cena e Acesso”, a realizar-se nos dias 7 e 8 de maio, possibilitará aos participantes explorar o corpo como uma linguagem comunicativa, promovendo a consciência do movimento e como ele pode ser acessível e poético.
A mesa “Acessibilidade Estética”, que ocorrerá no dia 7 de maio, abordará como a estética pode desafiar as normas tradicionais, propondo uma reflexão sobre a deficiência como um campo criativo.
O espetáculo “Movimento de escuta”, que envolverá a participação de bailarinos surdos, trará uma nova perspectiva sobre a cultura surda e a dança, promovendo um diálogo entre diferentes modos de expressão. O evento apresenta ainda outras atrações, como mesas de debate e uma performance anticapacitista no dia 9 de maio.
Por fim, a mostra se encerrará com a apresentação do espetáculo “Encruzilhada”, que abordará a comunicação entre pessoas surdas e ouvintes, reforçando a importância do encontro e da convivência.
