Caso de Violência Doméstica Choca a Comunidade
A Justiça do Maranhão decretou neste dia 7 de setembro a prisão preventiva da empresária Carolina Sthela Ferreira dos Anjos, em resposta a um pedido da Polícia Civil. Ela é suspeita de agredir e torturar uma doméstica grávida de apenas 19 anos, na cidade de Paço do Lumiar, na região metropolitana de São Luís. O caso, que começou a ganhar repercussão nas redes sociais, levanta importantes questões sobre direitos trabalhistas e a proteção à mulher em situações de vulnerabilidade.
De acordo com informações obtidas, na quarta-feira (6), a Polícia Civil tentou intimar Carolina para prestar depoimento em sua residência, mas ela não foi localizada. Apenas uma funcionária estava presente, chamada de última hora para assumir o serviço. Até o momento, a empresária ainda não se apresentou à delegacia, embora sua defesa tenha informado que ela tem a intenção de fazê-lo voluntariamente.
A investigação está sendo conduzida pela 21ª Delegacia de Polícia Civil do Araçagy, após a vítima registrar o boletim de ocorrência. Ela alegou ter sido agredida após ser acusada de roubar joias da ex-patroa. A jovem relatou ter sido alvo de agressões físicas enquanto tentava proteger a barriga, já que está grávida de cinco meses. As descrições das agressões são alarmantes; ela afirmou que foi puxada pelo cabelo e recebeu socos e murros, sendo derrubada várias vezes no chão.
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Além disso, mesmo após o suposto roubo ter sido esclarecido com a localização do anel em um cesto de roupas sujas, as agressões continuaram. A vítima também relatou que Carolina a ameaçou de morte, caso contasse sobre os atos de violência à polícia. “Começou com puxões de cabelo. Eu fui derrubada no chão e passei boa parte do tempo ali. Foram tapas, socos e murros… foi sem parar. Eles não se importavam”, contou a jovem.
Detalhes do Trabalho e Condições de Violência
Em seu depoimento, a jovem revelou que recebia R$ 750 por pouco mais de duas semanas de trabalho e que acumulava funções. Ela cumpria uma jornada de quase 10 horas diárias, de segunda a sábado, das 9h às 19h, com apenas 30 minutos de intervalo. Suas responsabilidades incluíam limpar a casa, cozinhar, lavar e passar roupas, além de cuidar do filho de seis anos da ex-patroa.
O primeiro contato com Carolina ocorreu por meio de um aplicativo de mensagens no início do mês de abril, quando foi oferecido a ela um mês de trabalho. No entanto, segundo a jovem, não houve um acordo claro sobre o salário. O pagamento foi efetuado de forma fracionada, por meio de transferências em nome de terceiros.
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Áudios enviados pela própria empresária e que foram obtidos pela TV Mirante agora fazem parte da investigação. Nesses áudios, Carolina fala sobre as agressões e menciona que a vítima “não era pra ter saído viva”. Adicionalmente, a empresária admitiu que não estava sozinha durante as agressões e que um homem, até agora não identificado, esteve presente, utilizando-se de violência para pressionar a empregada.
Repercussão do Caso e Ações da OAB
A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) pediu a prisão de Carolina, classificando as ações como tortura. O caso atraiu uma atenção significativa da sociedade, destacando a necessidade de uma discussão mais ampla acerca dos direitos dos trabalhadores e da violência contra mulheres. Além disso, quatro policiais militares que atenderam a ocorrência foram afastados, após a divulgação dos áudios que indicam que a vítima não foi conduzida à delegacia devido a relações pessoais entre a empresária e um dos policiais.
A empresária Carolina Sthela, por sua vez, se manifestou em nota, afirmando que colabora com as investigações e repudia qualquer forma de violência. Ela pediu que não haja “julgamento antecipado” enquanto o caso é apurado, destacando a importância de um processo justo e respeitoso.
O relato de outras vítimas também se acumula. Carolina possui um histórico de mais de dez processos, incluindo um caso anterior em que foi condenada por calúnia, após acusar falsamente uma ex-babá de roubar uma pulseira de ouro. A ex-babá, que começou a trabalhar com Carolina aos 17 anos, relatou que o pagamento nunca foi feito diretamente por ela, mas sim por meio de contas de terceiros.
Esse caso trágico ressalta a urgência de uma abordagem mais rigorosa contra a violência doméstica e a necessidade de garantir direitos trabalhistas adequados para todos os trabalhadores, independentemente de sua posição ou circunstância.
