Debate sobre Assédio e saúde mental
O Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA) promoveu, na última sexta-feira (8), uma palestra intitulada “As origens do assédio e da discriminação e seus impactos na saúde mental”. O evento ocorreu no Auditório Madalena Serejo, em São Luís, e fez parte das atividades da Semana de Combate ao Assédio e à Discriminação, realizada entre os dias 4 e 8 de maio, alinhada às diretrizes da Resolução nº 351/2020 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Ministrada pelo psicólogo Eliandro Araújo, membro da Comissão de Prevenção e Enfrentamento do Assédio e da Discriminação de 2º grau, a palestra reuniu magistrados, servidores, advogados e outros participantes para discutir os efeitos do assédio e da discriminação nas relações laborais e na saúde mental.
A diretora-geral adjunta do TJMA, Mariana Clementino Brandão, na abertura do evento, enfatizou a importância de refletir, tanto individualmente quanto coletivamente, sobre essa temática. “É um assunto delicado que nos leva a uma autoanálise constante. Discutir assédio não diz respeito apenas ao outro, mas também a nós mesmos, nosso comportamento em casa, com a família e na sociedade”, comentou Clementino.
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Representando a presidente da Comissão de Enfrentamento e Prevenção do Assédio Moral, Assédio Sexual e Discriminação de 2º Grau, a desembargadora Márcia Chaves, a juíza Ariane Mendes Castro Pinheiro ressaltou a importância do diálogo. “O assédio é um tema que permeia todas as esferas da nossa vida. Nossa comissão busca acolher aqueles que trazem suas queixas e, quando necessário, encaminha as questões para a Corregedoria Geral”, observou Pinheiro.
Aspectos impactantes discutidos na palestra
No decorrer da palestra, Eliandro Araújo abordou como fatores culturais, institucionais e sociais impactam diretamente a saúde mental dos profissionais que atuam no sistema de justiça. “Quando discutimos assédio e discriminação nas instituições de justiça do Brasil, é imprescindível considerar o contexto cultural e os valores que formam o comportamento humano, que estão intrinsecamente ligados à saúde mental, ao estresse e à discriminação”, explicou.
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O psicólogo também destacou os desafios emocionais enfrentados por aqueles que atuam no Judiciário. “Ninguém busca a justiça porque está feliz. As pessoas procuram por litígios ou problemas que afetam suas vidas, o que carrega um peso emocional significativo no nosso trabalho diário”, avaliou.
Segundo Araújo, magistrados, servidores e advogados lidam com pressões constantes, muitas vezes não abordadas abertamente nas instituições. “Essas pressões são únicas e comprometem a saúde mental de um modo que raramente é discutido. Existe uma crise, mas ela não é nomeada”, afirmou.
Durante a palestra, o especialista definiu o assédio como “qualquer comportamento repetitivo, indesejado e hostil que cause sofrimento físico ou psicológico à vítima”. Ele alertou que isso pode ocorrer nas formas moral, sexual, virtual ou institucional, e que todas são igualmente graves.
Eliandro Araújo também chamou a atenção para a importância de os órgãos enfrentarem desigualdades estruturais que permeiam os ambientes organizacionais. “O Judiciário, que deveria ser um guardião da igualdade, muitas vezes reproduz internamente as desigualdades que julga externamente em processos. Gênero, raça, orientação sexual e deficiência são vetores de discriminação que intensificam o sofrimento psicológico”, enfatizou.
Marcaram presença no evento a juíza Ariane Mendes Castro Pinheiro, a diretora-geral adjunta do TJMA, Mariana Clementino Brandão, o juiz José Ribamar Goulart Heluy Júnior, representando o diretor do Fórum Desembargador Sarney Costa, e a diretora de Recursos Humanos do TJMA, Diana Bastos.
Para conferir mais sobre o evento, é possível acessar o álbum de fotos na plataforma Flickr, registrado pelo fotógrafo Ribamar Pinheiro, e também assistir à palestra na íntegra.
