Debate sobre Saúde Suplementar para Pessoas Neurodivergentes
O Ministério Público do Maranhão promoveu, na manhã desta terça-feira, 7, o seminário “Fragilidade da assistência à saúde suplementar para pessoas neurodivergentes no Maranhão”, realizado no auditório do Centro Cultural em São Luís. A iniciativa, organizada pela 2ª Promotoria de Justiça de Defesa do Consumidor de São Luís em parceria com a Escola Superior do MPMA, teve como objetivo fomentar o diálogo sobre os desafios enfrentados pelas pessoas autistas, fortalecer a rede de atenção à saúde e reforçar a fiscalização para garantir os direitos constitucionais dessa população.
Compromisso das Instituições e Defesa dos Direitos
Na abertura do evento, o subprocurador-geral de justiça para Assuntos Jurídicos, Francisco das Chagas Barros de Sousa, ressaltou a necessidade de avanços na sociedade brasileira para assegurar os direitos das pessoas neurodivergentes. “Temos um desafio muito grande. As pessoas neurodivergentes precisam que seus direitos sejam garantidos”, afirmou. A presidente do Instituto de Promoção e Defesa do Cidadão e Consumidor do Maranhão (Procon MA), Karen Barros, destacou a importância da parceria com o MPMA para a proteção dos consumidores, mencionando as demandas diárias enfrentadas pelas famílias atípicas, seja em planos de saúde ou em espaços públicos como parques de diversão.
A promotora de justiça auxiliar da Escola Superior do MPMA, Maria de Jesus Araújo Heilmann, explicou que o seminário envolve áreas essenciais do Ministério Público: infância, consumidor e defesa das pessoas com deficiência. Ela lembrou que a saúde suplementar trata o cidadão como consumidor que paga pelo serviço, reforçando a importância da atenção e fiscalização.
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Desafios na Atenção aos Autistas e Atuação Interinstitucional
Lítia Cavalcanti, titular da 2ª Promotoria de Justiça de Defesa do Consumidor, enfatizou a necessidade de fortalecer a atuação conjunta entre instituições para assegurar os direitos das pessoas com transtorno do espectro autista (TEA). Ela criticou a prática de “verticalização” das clínicas, onde planos de saúde buscam reduzir custos em detrimento do tratamento adequado, incluindo limitações na autonomia médica, restrição das horas de terapia e superlotação das salas com crianças atípicas.
Em resposta a diversas denúncias recebidas pelo MPMA, foi criado um grupo de trabalho composto por instituições públicas, privadas, conselhos e sociedade civil para fiscalizar clínicas e planos de saúde voltados ao atendimento de pacientes autistas. A promotora revelou que esse grupo formulou um projeto de lei que será encaminhado ao governador e à Assembleia Legislativa, visando a regulamentação legal do tema.
“Estamos aqui para discutir, suscitar novos questionamentos e tomar providências. A vida é cheia de desafios e temos que enfrentá-los para transformar a sociedade”, concluiu Lítia Cavalcanti, destacando o papel das instituições na busca por mudanças sociais.
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Fonte: belembelem.com.br
Perspectivas e Depoimentos na Defesa da Neurodiversidade
O advogado Wellington Beckman, presidente da Comissão de Direito das Pessoas Autistas da OAB Maranhão e pai de um adolescente autista, ressaltou a importância da articulação do grupo interinstitucional e as ações em defesa dessa comunidade. Poliana Gatinho, mãe de uma criança neurodivergente, expressou sua gratidão pela iniciativa e compartilhou desafios diários enfrentados. Ela questionou a forma como se mede a qualidade da assistência, destacando que o verdadeiro objetivo é promover autonomia, reduzir comportamentos de risco, ampliar a comunicação e melhorar a inclusão social das crianças.
Programação e Participação de Especialistas
O seminário contou com palestras de especialistas como Ana Patrícia Azevedo de Medeiros, nutricionista e enfermeira; Ana Letícia Barbosa Lima, presidente do Conselho Regional de Psicologia do Maranhão; João Arnaud Diniz Neto, psiquiatra; Luiza Maria Miranda Martins, coordenadora-geral do Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional; e Nidia Rubia Soares, mestre em Ciências da Saúde. Depoimentos de mães de autistas também enriqueceram o evento.
O promotor de justiça Alenilton Santos, coordenador do Centro de Apoio Operacional de Defesa dos Direitos das Pessoas Idosas e das Pessoas com Deficiência, também participou ativamente do seminário, reforçando o compromisso do Ministério Público com a causa.
