Fortalecimento da Comunicação Indígena
Nos dias 28 e 29 de março, São Luís foi palco do Encontro de Comunicadores Indígenas, promovido pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi) Regional Maranhão. Com um foco em temas como ancestralidade, identidade e resistência, o evento reuniu 11 comunicadores de seis povos: Akroá Gamella, Apanjêkra Canela, Pyhcop Catiji Gavião, Guajajara, Krikati e Tremembé. Durante o encontro, os participantes debateram a comunicação popular, abordando desde narrativa visual e semiótica até produção de áudio e os desafios enfrentados na comunicação em seus territórios.
A iniciativa faz parte de um programa contínuo de capacitação do Cimi no Maranhão, iniciado em 2022, com o intuito de aprimorar as habilidades de comunicação de jovens indígenas. O objetivo central é fortalecer os coletivos de comunicação indígena e promover a defesa das comunidades, incentivando a troca de experiências entre os diversos territórios.
“A partir do momento que compartilhamos nossas experiências, compartilhamos cultura, memória e ancestralidade. O que aprendemos aqui, levamos para o território”, afirmou Denisvaldo Guajajara, um dos comunicadores presentes. Esta troca de saberes foi facilitada por meio de atividades práticas, que incluíram debates sobre fotografia como narrativa visual e oficinas de produção de conteúdo em áudio.
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Desafios Identificados e Estratégias de Resistência
Os participantes também participaram de dinâmicas que auxiliaram na identificação dos desafios enfrentados em seus territórios. Entre os problemas discutidos estavam as ameaças de madeireiros, caçadores e o avanço de empreendimentos imobiliários, além dos impactos negativos da poluição. Em resposta a essas violências, os comunicadores destacaram a importância da colaboração, organização e espiritualidade, que se mostraram como forças fundamentais na luta pela preservação de seus modos de vida.
O processo formativo tem permitido aos coletivos consolidar uma comunicação que não apenas denuncia, mas também celebra a memória e a autonomia de seus povos. A evolução da timidez inicial para um cenário em que jovens comunicadores e ativistas produzem conteúdo diversificado e utilizam plataformas digitais para amplificar suas vozes é um reflexo do potencial transformador deste encontro.
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Fonte: ocuiaba.com.br
Rosa Tremembé, integrante do coletivo Tremembé Kaúra, enfatizou que a produção dos coletivos é direcionada tanto para dentro quanto para fora dos territórios. “Aqui partilhamos o que já temos como experiência e também recebemos aprendizados de outros companheiros que fazem comunicação em seus territórios. Essa comunicação deve ser feita não somente para fora, mas também para dentro”, destacou.
A Importância da Comunicação na Luta Indígena
Uma das palestras do evento, proferida por Raimundo José, conhecido como “Medonho” da Rádio e TV Quilombo, abordou a relevância da comunicação como um olhar introspectivo, essencial para sustentar a luta e fortalecer o senso de coletividade e memória nos territórios. Ele ressaltou semelhanças entre a comunicação quilombola e indígena, enfatizando que essa comunicação ancestral e popular deve nascer da vivência no território.
“Foi uma satisfação muito grande poder trocar experiências com outros comunicadores que, assim como a gente, buscam fortalecer a comunicação como estratégia de defesa e proteção dos territórios”, afirmou Raimundo. Durante o encontro, também foi discutido o impacto do jornalismo hegemônico no Maranhão, que frequentemente marginaliza as pautas dos territórios tradicionais, sublinhando a importância de uma comunicação que se alicerça em uma base política sólida.
O Cimi Maranhão reafirmou seu compromisso de dar continuidade a esse trabalho, apoiando comunicadores, promovendo espaços de formação e fortalecendo uma comunicação que emerge e responde aos anseios dos territórios e da coletividade, sempre em defesa dos direitos dos povos indígenas.
