Saberes tradicionais ganham espaço no encontro em Raposa
RAPOSA – No dia 12 de setembro, o Casa d’Arte, em Raposa, será palco do Encontro de Saberes – Alinhavando Memórias, uma iniciativa que valoriza as técnicas tradicionais como renda, bordado e tessituras, transmitidas entre gerações. O evento, que acontece das 8h às 12h, reunirá mulheres guardiãs desses saberes, artesãos, estudantes e moradores locais em um espaço de troca cultural.
Projeto Tecendo Redes Culturais conecta municípios e fortalece memórias
Essa atividade integra o projeto Tecendo Redes Culturais, realizado pelo Pontão de Cultura Instituto Maranhão Sustentável (IMAS) em parceria com a Casa d’Arte. O projeto atua em cinco municípios da região metropolitana de São Luís — São Luís, São José de Ribamar, Paço do Lumiar, Raposa e Alcântara — com foco em formação, intercâmbio, comunicação e preservação da memória cultural.
O encontro foge do formato tradicional de oficina. Ao invés de aulas convencionais, os participantes poderão acompanhar de perto os processos de produção, conhecer os materiais e técnicas e dialogar diretamente com os artesãos que mantêm essas práticas vivas. A pergunta que guia a atividade é: “O que nossas mãos aprenderam com quem veio antes?”.
Participação das comunidades e roda de articulação cultural
Entre os envolvidos estão integrantes da Associação das Rendeiras Bilro de Ouro, bordadeiras do Boi da Floresta e do Bumba Meu Boi de Leonardo, além dos artesãos Graça Maria, Telma Lopes e Marcos Ferreira, da Desalinho. Moradores da comunidade também participam, enriquecendo a troca de experiências.
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Além da vivência prática, o encontro contará com uma roda de articulação cultural, onde serão discutidos temas como produção, comercialização, geração de renda e sustentabilidade dessas práticas culturais. O objetivo é aproximar diferentes trajetórias, identificar desafios comuns e estimular parcerias que garantam a continuidade e circulação desses saberes.
Rede Cultura Viva e o reconhecimento dos Pontos de Cultura no Maranhão
O Tecendo Redes Culturais foi selecionado pelo Edital nº 008/2025/SECMA/PNAB, da Secretaria de Estado da Cultura do Maranhão, que destina recursos para projetos continuados de Pontões de Cultura. Parte da política da Rede Cultura Viva, o projeto reconhece a existência de uma rede cultural ativa nos territórios maranhenses e busca conectar grupos, coletivos e pessoas que atuam em diversas áreas culturais.
Dados do Ministério da Cultura, atualizados em agosto de 2026, indicam a existência de 16.817 Pontos de Cultura e 892 Pontões certificados em todo o Brasil. No Maranhão, são 857 pontos e pontões cadastrados, abrangendo áreas como culturas populares, conhecimentos tradicionais, juventude, mulheres, direitos humanos, meio ambiente e economia criativa.
Primeira ação do projeto aproximou audiovisual e juventude
A atividade do dia 12 será a segunda promovida pelo projeto. A primeira aconteceu em agosto na Escola Municipal Maria Rosa Reis Trindade, em Raposa, com a oficina “Cinema e comunicação originária: formas de recriar a existência”. Ministrada por Layo Amõkanewy, cineasta indígena da etnia Kariú Kariri, a oficina aproximou estudantes de conceitos de comunicação e produção audiovisual, estimulando a criação de roteiros baseados em suas próprias histórias e memórias.
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Essa ação trouxe à tona a reflexão sobre quem conta as histórias das comunidades e de que forma são representadas. Assim, o projeto Tecendo Redes Culturais busca que suas atividades ultrapassem o momento do encontro, criando espaços de troca e produzindo registros que permaneçam circulando entre os territórios.
Valorização da cultura local como fio condutor do projeto
A sequência das ações revela a proposta central do projeto: unir formação, memória, comunicação e intercâmbio como partes de um processo de valorização das experiências culturais existentes. O encontro de setembro, focado nos saberes tradicionais, complementa a oficina audiovisual, ampliando o diálogo entre diferentes gerações e territórios.
Ao reunir iniciativas de cinco municípios, a iniciativa amplia a articulação entre mestres, grupos culturais, estudantes, coletivos e moradores, fortalecendo o tecido cultural maranhense e possibilitando a continuidade e circulação dessas práticas para o público local e para as próximas gerações.
