Desafios e Soluções na Saúde de Fronteira
Na manhã do I Fórum Internacional e do VI Fórum de Médicos de Fronteira, promovido pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) em São Luís (MA), especialistas se reuniram para abordar os desafios estruturais e as soluções práticas na assistência à saúde em áreas fronteiriças. As discussões abarcaram desde a organização dos sistemas de saúde até as logísticas de atendimento, além de considerar as particularidades culturais das populações atendidas.
Durante a aula magna que deu início ao evento, Gumercindo Leandro da Silva Filho, coordenador do projeto HÄMY, ressaltou a complexidade da saúde nas fronteiras, que se estendem por 15,7 mil quilômetros, abrangendo 588 municípios e aproximadamente 12 milhões de pessoas. “A resposta em saúde deve ser adaptada à diversidade da população. É essencial que saíamos deste fórum com ações concretas para aprimorar a assistência nessas regiões”, destacou. Ele também enfatizou a importância da integração regional, o uso de telessaúde e iniciativas como corredores de imunização e cooperação entre países. “Na fronteira, cuidar é sinônimo de integrar”, completou.
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Fonte: belembelem.com.br
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No primeiro painel, que se concentrou na epidemiologia nas fronteiras, José Albuquerque de Figueiredo Neto, presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado do Maranhão, apresentou um resumo da saúde indígena no estado, enfatizando a atuação fiscalizatória do Conselho e as fragilidades das unidades de atendimento. “A medicina de fronteira requer não apenas coragem, mas também recursos adequados. Fiscalizar é uma forma de cuidar”, afirmou, enquanto relatava irregularidades administrativas que podem comprometer a qualidade do atendimento.
Em relação à cooperação binacional, Idalia Medina, presidente da Associação de Médicos do Alto Paraná, trouxe à tona a sobrecarga dos serviços na região da tríplice fronteira e a necessidade de um entendimento mútuo entre os países. “As doenças seguem as diretrizes biológicas, e a segurança sanitária é construída através de pontes de cooperação, não barreiras”, defendeu, ressaltando a importância de regulações conjuntas e protocolos compartilhados.
Edén Galan-Rodas, vice-presidente da Rede Peruana de Saúde Coletiva, falou sobre os obstáculos enfrentados pela população migrante, que se depara com barreiras administrativas, tecnológicas e culturais. “Estamos diante de um sistema sob pressão, com um aumento nas demandas e diminuição dos recursos, além da fuga de profissionais”, disse, enfatizando a importância da inclusão sanitária e a retenção de talentos para o fortalecimento da infraestrutura.
No segundo painel, que abordou a logística de transporte de pacientes em áreas de fronteira, o Cel. Med. Alessandro Sartori Thies, inspetor de saúde da 12ª Região Militar, destacou o papel das Forças Armadas na assistência a regiões remotas. “Na Amazônia, nossos rios funcionam como estradas. Garantir atendimento e transportar pacientes requer estrutura adequada, capilaridade e preparo especializado”, afirmou, apresentando dados sobre atendimentos e operações em aeromédicas e fluviais.
A diretora do Departamento de Atenção Primária à Saúde Indígena da SESAI, Putira Sacuena, indicou os desafios culturais e estruturais na remoção de pacientes. “Não se trata apenas de logística; é crucial entender o território, a cultura e a forma de cuidado. A saúde precisa ser abordada de uma perspectiva mais inclusiva”, defendeu, propondo uma revisão das estratégias de atendimento.
Concluindo o painel, Maria Cristina Hoffman, consultora da Organização Pan-Americana da Saúde e da Organização Mundial da Saúde, destacou a importância das relações no cuidado à saúde nas fronteiras. “Cuidar efetivamente implica reconhecer as culturas e construir vínculos. Os protocolos devem dialogar com a realidade das populações”, enfatizou, defendendo redes integradas e sistemas de cooperação internacional.
