Lucas Pinheiro Braathen e o Dilema da Torcida na Copa do Mundo
O confronto das oitavas de final da Copa do Mundo entre Brasil e Noruega gerou um impasse curioso para Lucas Pinheiro Braathen, atleta do esqui alpino que fez história ao conquistar a primeira medalha de ouro para o Brasil nos Jogos Olímpicos de Inverno em Milão-Cortina. Com dupla nacionalidade, o capitão da seleção norueguesa nasceu em Oslo, mas não hesitou ao revelar sua torcida: é pelo time brasileiro comandado por Ancelotti.
“Fico feliz em ver a Noruega em uma Copa do Mundo depois de 28 anos sem jogar, mas meu coração é verde e amarelo no domingo. Eu escolhi ser brasileiro. O Brasil representa minhas raízes, minha família e uma parte essencial da minha identidade”, declarou Lucas Pinheiro em entrevista à GQ Brasil.
Raízes brasileiras e paixão pelo futebol
Mesmo tendo seguido carreira em um esporte completamente diferente do futebol, Lucas destaca que sua paixão pelo esporte nasceu com a bola nos pés. Ele sempre admirou o que o futebol simboliza para o povo brasileiro e buscou levar essa mesma intensidade para o esqui, esporte que hoje representa no cenário internacional. “Representar o Brasil no esqui me faz sentir parte da história e da paixão que os brasileiros têm pelo esporte”, completou o atleta.
Quando questionado sobre um possível placar para o jogo, Lucas evitou arriscar, mas apostou na classificação brasileira: “Vai dar Brasil”.
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Da infância em São Paulo às montanhas da Noruega
Filho de mãe brasileira e pai norueguês, Lucas Pinheiro Braathen nasceu em Oslo, mas passou boa parte da infância dividido entre a Noruega e o interior de São Paulo, onde mora a maioria da sua família materna. A conexão com o Brasil sempre foi forte e natural. “Eu cresci meu amor pelo esporte aqui no Brasil, jogando futebol na rua de São Paulo”, contou em entrevista à CNN em maio de 2024.
Suas referências no futebol foram ícones como Ronaldinho, Ronaldo e Neymar. Para ele, esses jogadores não eram apenas talentos técnicos, mas personagens que contavam histórias maiores do que títulos. Esse desejo de construir uma trajetória única foi o que o motivou a representar o Brasil no esqui: “Sempre vai surgir um novo esquiador da Noruega. Mas não é sempre que surge um esquiador do Brasil.”
Transição da Noruega para o Brasil e o impacto na carreira
Antes de optar pela bandeira brasileira, Lucas já se destacava como um dos principais nomes do circuito mundial de esqui alpino. Campeão da Copa do Mundo de slalom na temporada 2022-23, acumulou vitórias e pódios defendendo a Noruega, tradicional potência do esporte.
Em 2023, o atleta anunciou aposentadoria precoce após divergências com a federação norueguesa, especialmente relacionadas a autonomia e direitos de imagem. Poucos meses depois, surpreendeu ao retornar ao circuito representando o Brasil.
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Essa mudança foi tanto estratégica quanto simbólica. Estratégica, pois lhe proporcionou maior liberdade para conduzir sua carreira. Simbólica, porque abriu um caminho inédito: “Queria transmitir algo que vai além dos resultados. Trazer 200 milhões de pessoas para o esporte de inverno é importante. Quero ser uma inspiração. Não importa de onde você é. Não existem limitações, só oportunidades.”
Repercussão e o peso da história para o Brasil
A decisão de Lucas dividiu opiniões na Noruega, com parte do público lamentando a saída e outra reconhecendo sua coragem. No Brasil, a recepção foi calorosa, mesmo diante da ainda baixa popularidade do esqui alpino no país.
Com o peso histórico de ser o primeiro brasileiro a conquistar uma medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Inverno, Lucas encara a responsabilidade com determinação: “Não voltei para esse esporte para participar. Eu adoro o gosto do ouro.”
O próximo desafio será acompanhar o embate entre Brasil e Noruega na Copa do Mundo 2024, onde o esquiador já declarou sua torcida verde e amarela. A partida promete movimentar não só os fãs do futebol, mas também os admiradores do esporte de inverno que acompanham a trajetória de Lucas Pinheiro Braathen.
