Circuito museográfico estimula aprendizado sobre ancestralidade e cultura local
Entre os dias 21 e 25 de setembro, 350 estudantes do Centro de Ensino Governador Archer, localizado no bairro Filipinho, participam da segunda edição do projeto “Conhecimento é Liberdade – Circuito de Vivência Museográfica”. Organizado pela Secretaria de Estado da Igualdade Racial (SEIR), o projeto oferece uma série de atividades que incluem visitas mediadas, rodas de conversa e oficinas práticas em diversos espaços culturais de São Luís.
A proposta integra a Primavera dos Museus e tem o objetivo de ampliar o acesso dos alunos da rede pública estadual a equipamentos culturais, aproximando-os da história afro-brasileira, indígena e maranhense. Além disso, busca fortalecer o sentimento de pertencimento e reconhecer as contribuições dos povos negros, indígenas e comunidades tradicionais para a formação do Maranhão.
Roteiro educativo destaca memória, resistência e identidade cultural
Durante os cinco dias, os estudantes percorrem diferentes períodos e dimensões da história local. O circuito inicia no Museu Cafua das Mercês, onde atividades abordam a memória da escravização e a resistência afro-maranhense, com visita guiada, roda de conversa sobre ancestralidade e oficina que utiliza expressão corporal para explorar a cultura afro-brasileira.
No segundo dia, o foco é a história do território antes da colonização, com visitas ao Centro de Pesquisa de História Natural e Arqueologia do Maranhão e ao Centro de Cultura Popular Domingos Vieira Filho. Os alunos participam de rodas de conversa sobre os povos originários e oficinas de simulação arqueológica e modelagem de cerâmica.
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Na quarta-feira, a programação destaca a relação entre alimentação, ancestralidade e identidade cultural no Museu da Gastronomia Maranhense e no Banco de Alimentos da CEASA. Os estudantes conhecem ingredientes tradicionais, técnicas culinárias e práticas alimentares, além de participarem de oficinas que abordam o reaproveitamento alimentar.
Resistência contemporânea e cultura popular maranhense
Na quinta-feira, o Museu Casa de Nhozinho recebe atividades que tratam das resistências atuais dos povos originários e comunidades tradicionais, com roda de conversa sobre território, identidade e direito à existência, além de oficina de grafismos indígenas.
O encerramento acontece na sexta-feira, também no Museu Casa de Nhozinho, com foco na cultura popular como patrimônio vivo. Os estudantes participam de visita ao acervo, roda de conversa e oficina que exploram ritmos tradicionais como Tambor de Crioula e Bumba Meu Boi, vivenciando instrumentos, cantos e toques típicos da região.
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Ampliação do acesso cultural e alinhamento educacional
O projeto atende estudantes do Ensino Médio, muitos dos quais nunca haviam visitado um museu antes. Na edição anterior, apenas quatro alunos tinham essa experiência, evidenciando a distância entre jovens das periferias de São Luís e os espaços culturais localizados principalmente no Centro Histórico.
Para garantir a participação de todos, os 350 estudantes foram distribuídos em grupos diários de 70 alunos, divididos em dois subgrupos que participam das atividades nos museus. A iniciativa está alinhada às ações de Educação para as Relações Étnico-Raciais e dialoga com as Leis Federais nº 10.639/2003 e nº 11.645/2008, que determinam a inclusão da história e cultura afro-brasileira e indígena no currículo escolar.
Este projeto reforça a importância de conectar estudantes da rede pública com o patrimônio cultural local, promovendo o entendimento da diversidade que compõe a identidade maranhense e contribuindo para a formação de jovens mais conscientes de suas raízes e direitos.
