Sell Agro projeta crescimento em um mercado desafiador
A Sell Agro, uma empresa especializada na fabricação de adjuvantes agrícolas que aprimoram a eficiência na aplicação de defensivos, está otimista quanto ao seu futuro. Com previsão de faturamento de R$ 90 milhões até 2026, a companhia, com sede em Rondonópolis (MT), encerrou 2025 com R$ 78 milhões. Desde sua fundação em 2007, a empresa focou em soluções que minimizam o desperdício de insumos devido a fatores climáticos, como chuvas e ventos, e, atualmente, conta com 16 produtos, duas fábricas e 15 centros de distribuição pelo Brasil.
Leandro Viegas, CEO e sócio-diretor da Sell Agro, revela que cerca de 90% das vendas são realizadas diretamente para os produtores. Em períodos de crise, como o atual, a demanda se mantém alta, pois os agricultores buscam eficiência para garantir a viabilidade de suas operações. “Os produtores têm plena consciência de que não podem errar em momentos como este”, enfatiza Viegas.
Expansão para o Paraguai e investimentos próprios
A empresa também está se preparando para iniciar operações no Paraguai ainda este ano, marcando sua primeira expansão internacional. O foco inicial será a região de Santa Rita, e essa movimentação será realizada com recursos próprios. Apesar de receber propostas de dois fundos de investimento nos últimos cinco anos, Viegas afirmou que as negociações não avançaram. “Neste momento, a resposta é não”, enfatiza o CEO.
Resultados da VLI e logística no setor
A VLI, empresa de logística, também teve resultados expressivos, com o transporte de 15 bilhões de toneladas por quilômetro útil no trecho norte da Ferrovia Norte-Sul e na Estrada de Ferro Carajás em 2025. O Terminal Portuário São Luís, da VLI, no Porto de Itaqui (MA), registrou a movimentação de 5,8 milhões de toneladas no mesmo ano, superando as 5,5 milhões de toneladas de 2024. Esses dados reforçam a estratégia de transformar o estado do Maranhão no principal corredor logístico para o transporte de grãos do centro-norte do Brasil.
Inovação e crescimento no setor de coprodutos
A Inpasa, primeira empresa a exportar DDGS — um subproduto da etanol de milho amplamente utilizado na alimentação animal — para a China, planeja inaugurar um laboratório com certificação ISO 17025 em sua unidade de Sidrolândia (MS) até maio. O objetivo é acelerar a análise de coprodutos de milho, facilitando a adequação às exigências dos mercados europeu e asiático, segundo Pedro Zaboto, gerente comercial de DDGS da Inpasa.
Monitoramento digital na pecuária
Outra inovação relevante diz respeito ao monitoramento do rebanho via celular, que está se tornando cada vez mais popular entre os pecuaristas. A Lida, uma startup de Piracicaba (SP), conta com 30 mil clientes e 380 mil animais registrados em sua plataforma, que agora apresenta a versão 2.0. Essa atualização permite aos criadores acompanhar informações como histórico de inseminações e previsões de parto. Desde sua fundação em 2019, a Lida já recebeu mais de R$ 1 milhão em investimentos. “Com dados organizados, fica mais fácil identificar áreas de melhoria”, comenta Gabriela Ribeiro, fundadora e CEO da empresa.
Impactos econômicos do etanol no Brasil
A União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) estimou que o etanol gerou uma economia superior a R$ 2,5 bilhões para o Brasil apenas em março. O biocombustível, que apresentou uma leve alta, variou de R$ 4,61 para R$ 4,70 por litro, enquanto o preço da gasolina subiu de R$ 6,30 para R$ 6,78. Sem o etanol, o Brasil teria que importar cerca de 2,3 bilhões de litros de gasolina em março, o que custaria mais de R$ 2,2 bilhões adicionais.
Desafios e recuperações judiciais no agronegócio
Enquanto isso, o movimento de recuperações judiciais no agronegócio permanece intenso. André Savino, presidente da Syngenta Proteção de Cultivos no Brasil, comenta que, embora se espere uma redução das recuperações ao longo do tempo, o setor ainda enfrentará um efeito rebote. Ele acredita que, apesar de não haver risco sistêmico para a indústria, os impactos serão sentidos por toda a cadeia produtiva. A diminuição das taxas de juros pode, segundo ele, contribuir para a recuperação das empresas mais endividadas.
Resiliência da Syngenta
A Syngenta, que atua na produção de sementes e defensivos, também sente os efeitos das recuperações judiciais que afetam consumidores e distribuidores. No entanto, Savino destaca que a forte colaboração com cooperativas – que representam cerca de 30% do mercado e não enfrentaram recuperações – e o manejo com um número limitado de distribuidores ajudaram a mitigar os impactos. “Temos uma estratégia de relacionamento robusta com nossos clientes e investimos na capacitação financeira das revendas”, conclui Savino.
