O Legado de Deng Xiaoping e os Desafios do Brasil em Tempos de Eleição
Deng Xiaoping, o primeiro-ministro que desempenhou um papel crucial na transformação econômica da China no final do século XX, não recebe o reconhecimento que merece fora da Ásia. Enquanto isso, Mao Tsé Tung, conhecido como “o grande timoneiro” e responsável por uma das maiores crises econômicas da história, é frequentemente lembrado nas discussões sobre o país atualmente governado por Xi Jinping. Este último, por sua vez, está colhendo os frutos das políticas que Deng implantou. Vale lembrar que foi Deng, ainda como vice-primeiro-ministro, que veio ao Brasil negociar com a Vale do Rio Doce, durante a presidência de Fernando Henrique Cardoso, a expansão das importações de minério de ferro de Carajás. Curiosamente, houve um momento marcante para mim, quando participei de uma comitiva de jornalistas que teve a oportunidade de conhecer o projeto um mês após a visita de Deng, que fez o trajeto de trem entre São Luís (MA) e Carajás (PA). Esse fluxo de minérios, que já havia impulsionado o “milagre japonês” nas décadas de 60 e 70, resultou em um crescimento das exportações de petróleo, soja, milho, carnes, celulose, açúcar e café, tornando a China o principal comprador do Brasil, representando 30% das exportações do país.
Pragmático, Deng Xiaoping costumava dizer que “não importa a cor do gato, desde que cace o rato”, refletindo sua abordagem em relação à abertura econômica e às reformas que mudaram a infraestrutura urbana e a energia na China. Atualmente, a China é vista como uma ameaça à hegemonia dos Estados Unidos, e a resposta de Trump, ao atacar o Irã com o apoio de Israel, mostra como ele busca fortalecer seu poder. Na semana após o Carnaval, com o presidente Lula fazendo uma breve aparição no sambódromo e realizando visitas à Índia e à Coreia do Sul, o Congresso voltou a se movimentar em meio a uma acirrada disputa política. O clima de competição se intensificou, com a oposição, dividida entre a extrema-direita bolsonarista e uma direita mais moderada, buscando maneiras de pressionar Lula, especialmente em relação ao sigilo fiscal e financeiro do “Lulinha”.
O filho do presidente já foi acusado de ser sócio da Friboi, e em 2018, uma foto da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queirós em Piracicaba (SP) foi erroneamente identificada como a sede da fazenda de Lula, que foi apelidado de “o maior boiadeiro do Brasil”. As alegações eram falsas e se encaixavam na categoria de fake news. Outra parte da oposição tenta fazer do Supremo Tribunal Federal um alvo após as confusões envolvendo o ministro José Antônio Dias Toffoli e o Banco Master. O “Centrão”, por sua vez, está se esforçando para impedir que Daniel Vorcaro, ex-banqueiro, testemunhe nas CPIs do Congresso, que investigam tanto o INSS quanto o Banco Master, cujas ações afetaram muitas pessoas, incluindo aposentados e funcionários públicos.
Os acontecimentos recentes refletem que o clima eleitoral está esquentando. A oposição está preparando ataques sérios, como o ressurgimento do inquérito sobre as “rachadinhas” no gabinete de Flávio Bolsonaro, que, sob a gestão do ex-PM Fabrício Queiroz, gerou grandes controvérsias. Após a eleição de Jair Bolsonaro à presidência em 2018 e a ascensão de Flávio ao Senado, as investigações foram abafadas. O inquérito, que começou no Ministério Público do Rio de Janeiro, acabou envolvendo o Superior Tribunal de Justiça, onde manobras judiciais anularam provas. A pressão de Jair Bolsonaro levou a Polícia Federal a suspender as investigações, resultando em mudanças na liderança da instituição e até na troca do então ministro da Justiça, Sérgio Moro, em abril de 2020.
Enquanto isso, o governo enfrenta desafios financeiros. Recentemente, uma medida controversial no Ministério da Fazenda impôs taxas sobre as importações de mais de 1.200 produtos, incluindo eletrônicos, levantando um clamor nas redes sociais e entre setores da economia. O ministro Fernando Haddad argumentou que muitas dessas mercadorias já são produzidas no Brasil, mas os protestos não tardaram a vir. Como resultado, o Comitê-Executivo de Gestão conseguiu reverter a elevação de alíquotas para 120 produtos classificados como bens de capital e de tecnologia da informação, excluindo produtos eletrônicos como celulares e laptops da lista. É interessante notar que em 2022, Bolsonaro havia isentado a importação de jet-skis.
Outra questão preocupante é a aprovação do Projeto de Lei Antifacção, que, segundo críticos, perdeu uma oportunidade de modernizar os inquéritos policiais no país. A falta de integração entre as instituições, como o Ministério Público, e as forças policiais prejudica a efetividade das investigações. Em contraste com modelos de outros países, onde promotores atuam diretamente nas delegacias, o Brasil continua preso a uma abordagem que favorece a burocracia, resultando em impunidade e escalada criminal.
Por fim, é importante mencionar o cenário econômico nos Estados Unidos, onde a administração de Donald Trump enfrenta dificuldades. Na última terça-feira, ele apresentou um panorama otimista durante seu discurso sobre o Estado da União, mas a realidade é bem diferente. De acordo com o “New York Times”, as tendências de emprego, inflação e criminalidade continuaram a se agravar. Os índices de mercado financeiro, como o Dow Jones, estão enfrentando as maiores quedas desde a turbulência provocada pelo tarifaço de abril. A situação é tão crítica que investidores estão preocupados com o futuro do crédito privado, especialmente no setor de consumo, exacerbado pelo colapso de uma instituição financeira imobiliária britânica, que parece estar afetando todo o sistema financeiro global.
