Roda de conversa une cultura e ancestralidade
Em homenagem ao Dia dos Povos Indígenas, comemorado em 19 de abril, a Fundação Iraci Gama de Cultura (Figam) organizou, no último sábado (18), uma roda de conversa focada em Religião e Cosmogonia Indígena. O evento, que ocorreu na Estação São Francisco, contou com a participação de representantes do povo Kariri-Xocó e de diversas lideranças culturais, como o cacique Paruanã, Littusilva, Iraci Gama e Gilmara Leal. A iniciativa recebeu o apoio da Secretaria Municipal de Cultura, Esporte e Turismo (Secet).
Durante a roda de conversa, Paruanã enfatizou a necessidade de que a discussão sobre a cultura indígena vá além das datas comemorativas. “Esse é um tema que devemos abordar constantemente. Não se limita apenas ao dia 19 de abril; é uma parte de quem somos e precisamos honrá-la diariamente”, disse.
O cacique também fez uma crítica ao apagamento histórico e à apropriação cultural que os povos indígenas enfrentam. “As histórias se perdem, e é essencial que o resgate cultural aconteça de forma contínua”, alertou. Sendo parte do povo Kariri-Xocó, oriundo de Alagoas, Paruanã ressaltou a presença indígena na Bahia e a importância de reconhecer as raízes indígenas de todos os brasileiros. “Todos têm alguma ligação com essa ancestralidade, mesmo que não saibam. Precisamos incessantemente discutir e valorizar essa herança”, completou.
Valorização da ancestralidade indígena é uma luta constante
A idealizadora do evento, professora Iraci Gama, reforçou a luta histórica pela valorização da cultura indígena. “Em Alagoinhas, estamos nessa batalha há 40 anos, reivindicando o respeito à nossa origem, que é profundamente conectada à ancestralidade indígena, frequentemente marginalizada”, destacou.
Iraci explicou que o projeto “Indigenar”, desenvolvido pela Figam nos últimos três anos, tem como intuito aproximar a comunidade da rica herança cultural indígena. “Queremos que as pessoas se sintam parte dessa cultura. A farinha, um alimento comum em nosso cotidiano, é um legado direto dos indígenas, que cultivam a mandioca. Quando negros enfrentavam dificuldades nos engenhos e buscavam abrigo na mata, os indígenas eram seus aliados. Essa interação se reflete em quilombos e diversas práticas culturais que ainda persistem”, recordou.
Programação cultural reforça a temática indígena
A programação cultural da Figam, em celebração ao mês de abril e às tradições indígenas, continuará com uma série de atividades até o final do mês. Entre as atrações, haverá palestras, exibições e debates, com a participação de escolas públicas e privadas de Alagoinhas. A curadoria da Fundação já anunciou que no próximo sábado, dia 25, será exibido e discutido o documentário “A Queda do Céu”, às 10h.
A professora Jocidalva Bispo Pinto, que esteve presente no evento, ressaltou a importância de incluir essa discussão no ambiente escolar desde os primeiros anos de ensino. “Trabalhamos essa temática durante todo o ano letivo, utilizando literatura e abordagens interdisciplinares. Limitar essa conversa a uma data específica não faz sentido. É fundamental falar de identidade, valorização e respeito de maneira contínua”, concluiu.
As atividades promovidas pela Figam não apenas celebram a cultura indígena, mas buscam construir um espaço de reflexão e aprendizado para toda a comunidade, reafirmando a necessidade de respeitar e valorizar a diversidade cultural que faz parte da história do Brasil.
