Uma Celebração da cultura Maranhense
O bumba meu boi é uma das manifestações mais emblemáticas do folclore brasileiro e, em especial, do estado do Maranhão. Reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela Unesco desde 2019, esse espetáculo cultural combina teatro, dança, música e religiosidade popular, sendo um dos maiores símbolos da cultura nordestina.
No Maranhão, suas apresentações ganham força principalmente durante o mês de junho. Para promover o São João do Maranhão em Minas Gerais, um grupo de bumba meu boi chega nesta quinta-feira (30/1), às 10h, no Mercado Central. Este espaço é um dos mais visitados da capital mineira e receberá a energia contagiante da festa.
“Você pode ter ouvido falar do bumba meu boi, mas é preciso sentir, ouvir e vivenciar”, enfatiza Socorro Araújo, secretária de Estado de Turismo do Maranhão. Segundo ela, essa prévia promete encantar tanto os mineiros quanto os visitantes que comparecerem ao evento.
A ação faz parte de uma estratégia mais ampla de promoção do turismo maranhense, impulsionada pelo aumento do número de visitantes mineiros nos últimos anos. Dados da companhia aérea Azul revelam um crescimento de 40% no fluxo aéreo de turistas de Minas para o Maranhão no primeiro semestre deste ano.
Minas Gerais e o Interesse pelo Maranhão
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Conforme a Pesquisa de Demanda Turística 2025 do Observatório do Turismo do Maranhão (Obstur-MA), Minas Gerais ocupa a terceira posição entre os estados que mais enviam turistas ao Maranhão. O estudo também aponta que 95% dos turistas que visitam o estado têm a intenção de retornar, especialmente para aproveitar a programação cultural do período junino.
Para o São João do Maranhão, o governo do estado espera atrair até 50% de visitantes da região Sudeste. Atualmente, os principais emissores de turistas são São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Uma ação semelhante está programada para o dia 4 de maio em São Paulo.
O São João do Maranhão é reconhecido pela sua diversidade cultural e pela força de suas tradições, que refletem uma combinação de influências africanas e indígenas, todos expressos no bumba meu boi. Essa manifestação se destaca por seus diferentes sotaques, ritmos, estilos e narrativas.
Geralmente, um grupo de bumba meu boi conta com mais de 400 integrantes. No evento em Minas, estarão presentes apenas um boi de orquestra e um grupo parafolclórico, totalizando cerca de 50 pessoas. A missão deles será retratar, durante 50 minutos, um pouco de cada um dos cinco diferentes tipos de bumba meu boi maranhenses.
A História do Bumba Meu Boi
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A origem do bumba meu boi remonta ao período colonial, entre os séculos XVIII e XIX, e resulta da fusão de três matrizes culturais: indígena, africana e europeia. A narrativa gira em torno da morte e ressurreição de um boi, envolvendo temas como fé, justiça, escravidão e resistência cultural. Os protagonistas da história são Mãe Catirina e Pai Francisco, um casal de escravizados que se depara com um dilema culinário.
Mãe Catirina, grávida, sente o desejo de comer língua de boi. Para atender ao pedido da esposa, Pai Francisco sacrifica o boi mais bonito do senhor da fazenda. A partir daí, a trama se desenrola com a busca por um pajé que consiga ressuscitar o boi, culminando em uma grande festa comunitária.
Além de Pai Francisco e Mãe Catirina, muitos outros personagens fazem parte do auto do boi, que apresenta uma combinação de dança e teatro. Entre eles estão o amo do boi, o pajé, índios, caboclos e o próprio boi, que é confeccionado com estrutura de madeira e tecido de veludo, adornado com fitas e desenhos simbólicos.
Ritmos e Tradições do Maranhão
A musicalidade do bumba meu boi encanta todos os participantes: “As músicas falam do cotidiano e da história da comunidade, tornando a experiência inesquecível”, comenta Socorro. O repertório inclui diversas manifestações, como tambor de crioula, baião, xaxado, coco e danças tradicionais, todas acompanhadas por instrumentos de corda e sopro e a vibrante batida das matracas e pandeirões.
Existem mais de 400 grupos de bumba meu boi no Maranhão, cada um com suas particularidades em sotaques, ritmos, indumentárias e número de brincantes. O sotaque mais antigo é o zazumba, e os outros incluem o de orquestra, matraca ou da ilha, da baixada, costa-de-mão ou cururupu.
A indumentária é outro espetáculo à parte, com bordados riquíssimos, miçangas, lantejoulas, cores vibrantes e chapéus ornamentados que refletem a identidade visual de cada grupo, além de sua história.
Embora as apresentações do bumba meu boi ocorrem principalmente em junho, os ensaios, conhecidos como guarnicês, começam no Sábado de Aleluia e se estendem até o final de maio, proporcionando uma prévia do que está por vir. A secretária de Turismo do Maranhão assegura que quem visitar o estado em maio terá a oportunidade de vivenciar essa rica manifestação cultural.
O ponto alto da festa junina maranhense ocorre em 13 de junho, dia de Santo Antônio, e em 24 de junho, dia de São João. “No Nordeste, a festa junina é marcada por forrós e quadrilhas, e no Maranhão, todas essas tradições estão profundamente enraizadas nas comunidades indígenas e quilombolas”, ressalta Socorro.
O São João do Nordeste em Minas é uma iniciativa organizada pelo governo do Maranhão, em colaboração com as secretarias de Estado da Cultura, Turismo e Comunicação.
