Patrimônio Imaterial e Identidade Maranhense
Reconhecido como uma das maiores expressões da cultura popular brasileira, o Bumba Meu Boi ultrapassa as fronteiras dos arraiais para se consolidar como um símbolo da identidade, história e diversidade dos municípios do Maranhão. No Dia Nacional do Bumba Meu Boi, celebrado em 30 de junho, a Federação dos Municípios do Estado do Maranhão (FAMEM) destaca o papel fundamental das administrações municipais na valorização dessa manifestação cultural que impulsiona o turismo, movimenta a economia criativa e preserva a memória do povo maranhense.
O Complexo Cultural do Bumba Meu Boi do Maranhão foi declarado patrimônio cultural imaterial da Humanidade pela UNESCO em dezembro de 2019. A certificação oficial foi entregue em solo maranhense em agosto de 2025, ocasião em que o presidente da FAMEM, Roberto Costa, participou do cortejo entre o Ceprama e o Largo de São Pedro, em São Luís, reafirmando o compromisso da entidade com a valorização da cultura popular local.
Axixá e o Sotaque de Orquestra
Na região do Munim, o município de Axixá é referência no sotaque de orquestra, conhecido pela presença marcante de instrumentos de sopro e cordas. Berço do tradicional Bumba Meu Boi de Axixá, fundado em 1959, o município também abriga o Boi Brilho de Axixá, ampliando a diversidade cultural da região.
Mais do que uma expressão artística, o Bumba Meu Boi em Axixá representa a memória e identidade do povo local, promovendo a integração entre gerações e fortalecendo a economia criativa por meio do trabalho de costureiras, bordadeiras, artesãos, músicos e produtores.
Para garantir a continuidade dessa tradição, a Prefeitura de Axixá mantém ações permanentes de incentivo aos grupos culturais, oferecendo apoio aos ensaios, apresentações e estrutura dos circuitos juninos.
Segundo a prefeita Roberta Barreto, preservar a cultura é fortalecer a identidade do município. “Apoiar os grupos de Bumba Meu Boi, Tambor de Crioula e danças portuguesas é mais do que incentivar o turismo. É honrar as histórias, as cores e as famílias axixaenses que sustentam esse legado cultural e mantêm viva a identidade do nosso povo.”
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Junto a municípios como Morros, Rosário, Icatu e Barreirinhas, Axixá contribui para manter viva uma tradição que atrai admiradores de diferentes regiões, fortalecendo o turismo cultural.
O Sotaque de Matraca na Ilha
Na Grande Ilha, os municípios de São Luís, São José de Ribamar, Paço do Lumiar e Raposa preservam o sotaque de matraca, um dos mais populares e emblemáticos do Maranhão. O ritmo forte das matracas e pandeirões, aliado à intensa religiosidade nas celebrações de São João, São Pedro e São Marçal, compõe um capítulo fundamental da cultura maranhense.
Ancestralidade da Baixada Maranhense
Na Baixada Maranhense, municípios como Viana, São João Batista, Cajapió e Pinheiro mantêm o sotaque de pindoba, caracterizado pelo ritmo cadenciado e forte conexão com saberes tradicionais. Já cidades como São Bento, Arari, Penalva e Vitória do Mearim preservam o sotaque da Baixada, conhecido pela presença do personagem cazumbá, um dos símbolos mais marcantes do Bumba Meu Boi maranhense.
Em São Bento, a manifestação movimenta diversos setores da economia durante o período junino, gerando oportunidades para brincantes, músicos, artesãos, costureiras e comerciantes. Para o prefeito Dino Penha, preservar o Bumba Meu Boi é preservar a identidade do município: “Seguiremos trabalhando para fortalecer nossa cultura e garantir que ela continue sendo motivo de orgulho para São Bento.”
Tradição do Litoral Maranhense: Sotaque de Costa de Mão
Em Cururupu, o Bumba Meu Boi de sotaque de costa de mão destaca-se como uma das expressões culturais mais características do litoral maranhense. Surgido no século XIX, o ritmo carrega herança afrodescendente e recebeu o nome pela forma peculiar de tocar os pandeiros usando as costas das mãos.
Além dos tradicionais personagens como índias, rajados, vaqueiros e amo, o sotaque de costa de mão se diferencia pelas roupas ricamente bordadas e pela participação de gerações inteiras de brincantes. Grupos como Rama Santa e Brilho de Areia Branca são responsáveis por manter viva essa tradição.
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A Prefeitura de Cururupu, por meio da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) e da Secretaria Municipal de Cultura, fortalece esses grupos culturais com editais para manutenção e premiação dos mestres da cultura popular, contribuindo para a economia local e para o trabalho dos artesãos.
Zabumba: Resistência Cultural no Maranhão
Nos municípios de Guimarães e Bequimão, o sotaque de zabumba preserva uma das vertentes mais tradicionais do Bumba Meu Boi. Marcado por grandes tambores e forte influência afro-maranhense, esse sotaque mantém vivas manifestações culturais carregadas de história e resistência.
Cultura que Gera Renda e Sustenta Tradições
Além de seu valor cultural, o Bumba Meu Boi movimenta uma cadeia produtiva importante nos municípios maranhenses. Artesãos, bordadeiras, costureiras, músicos, fabricantes de instrumentos, vendedores ambulantes, profissionais do turismo e pequenos empreendedores encontram nas festividades juninas oportunidades para geração de renda e fortalecimento da economia local.
As administrações municipais apoiam a realização dos festejos, organizam arraiais, incentivam os grupos folclóricos, promovem atividades culturais e valorizam os mestres da cultura popular. Esse esforço conjunto garante a transmissão do Bumba Meu Boi às novas gerações, preservando um patrimônio que pertence a todo o Maranhão.
A Cultura que Une o Maranhão
Dos tambores da Baixada às orquestras do Munim, das matracas da Ilha aos sotaques tradicionais do interior, o Bumba Meu Boi representa a riqueza cultural dos municípios maranhenses. Mais do que uma manifestação folclórica, traduz a história, a fé, a criatividade e a identidade de um povo que mantém viva uma das maiores expressões culturais do Brasil.
Para a FAMEM, são os municípios, as comunidades, os brincantes, os mestres e as gestões municipais que mantêm viva essa tradição que atravessa o tempo, encanta gerações e projeta o Maranhão como um território de diversidade cultural e memória viva. Afinal, quando o Maranhão brinca de boi, são os municípios que preservam a alma da cultura local.
