Um espaço de encontros culturais no Parque do Rangedor
O Festival Vale no Parque tomou conta do Parque do Rangedor, em São Luís, neste domingo (13), em uma celebração gratuita que uniu música, cultura e convivência. A programação atraiu públicos dos mais diversos perfis, da infância à terceira idade, oferecendo uma tarde repleta de atividades que misturaram diversão, arte e tradição maranhense.
Promovido pela Vale e realizado pela Interart Produção Criativa, o evento ocupou o espaço público com uma proposta que ia além do espetáculo: convidar o público a participar ativamente da programação. Desde a tarde, o coletivo “O Circo Tá na Rua” animou o parque com um cortejo acompanhando a charanga e os mascotes “Os Recicladores”, focando em arte e educação ambiental para as crianças e suas famílias. Oficinas de malabarismo, equilibrismo e acrobacias também deram o tom de interação.
Da infância ao Bumba Meu Boi: a cultura maranhense em destaque
O grupo Vem Brincar trouxe ao palco músicas infantis que atravessam décadas, garantindo que famílias inteiras se divertissem juntas. Conforme a tarde avançava, foi a vez do Boi da Floresta tomar o espaço, resgatando a ancestralidade local com seus elementos tradicionais — couro, matracas, pandeirões e dança — que carregam as memórias e histórias do Maranhão.
Emanuel Jesus, diretor da Interart Produção Criativa, ressaltou o impacto do festival: “Queríamos que as pessoas não só assistissem, mas realmente vivessem o parque, encontrando outras pessoas e transitando por diferentes expressões artísticas. Ver crianças, jovens e idosos juntos, cada um tocado de forma única, mostra a força da cultura quando ela ocupa o espaço público”.
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Concerto da Orquestra Ilha Sinfônica: tradição e contemporaneidade
O ponto alto da noite foi um concerto especial da Orquestra Ilha Sinfônica, regida pelo maestro Jairo Moraes, que aproximou a música sinfônica da popular com convidados como Flávia Bittencourt e Nando Cordel. A apresentação ainda contou com participações da Cia Encantar e do Boi de Maracanã, evidenciando a diversidade cultural do Maranhão e do Nordeste.
A abertura do concerto com “Louvação a São Luís” celebrou a cidade anfitriã. Flávia Bittencourt interpretou canções que dialogam com a identidade local, como “Ilha Bela” e “Boi de Lágrimas”, esta última com o apoio da Cia Encantar. Para ela, cantar em São Luís, em meio a famílias e um público diverso, trouxe uma conexão especial: “Foi um encontro bonito entre música, cidade e identidade, mostrando a potência da cultura maranhense para ocupar todos os palcos”.
Após Flávia, a orquestra apresentou “Ilha Magnética” e “Maranhão, meu Tesouro, meu Torrão”, temas emblemáticos da cultura regional. Nando Cordel, vindo de Pernambuco, ampliou o repertório com sucessos como “Aconchego” e “Minha Doce Estrela”, emocionando o público com sua presença e energia.
O momento final reuniu Flávia e Nando em uma parceria que fortalece as raízes nordestinas, com canções como “Terra à Vista” e “Isso Aqui Tá Bom Demais”.
Inclusão, sustentabilidade e cultura em diálogo com o público
Além do conteúdo artístico, o festival destacou a acessibilidade e a sustentabilidade. Estruturas como plataformas para pessoas com deficiência, rampas, banheiros adaptados, abafadores para quem tem hipersensibilidade sonora e audiodescrição garantiram que o evento fosse inclusivo e acolhedor.
Débora Ferreira, gerente de Territórios da Vale no Maranhão, comentou sobre o significado do evento: “O que buscamos é ver os territórios vivos, ocupados por pessoas de diferentes idades e perfis, compartilhando cultura e fortalecendo vínculos. Apoiar essa experiência gratuita é contribuir para valorizar o território e seus moradores”.
O concerto contou com arranjos de Elder Ferreira e Jesiel Bives, produção executiva de Ellen Soares e direção geral de Emanuel Jesus, reforçando a colaboração entre profissionais comprometidos com a cena cultural local.
Ao final do festival, a imagem que ficou foi a de um parque cheio de vida e diversidade: gerações compartilhando música, dança e brincadeiras, celebrando os 414 anos de São Luís com uma festa que reforça o papel da arte e da cultura na construção da cidade.
