A Paixão Brasileira pelo Futebol e a Moda
Quem nunca marcou um gol improvisado com chinelos como trave que atire a primeira bola! No último evento de moda, a grife Piet, liderada por Pedro Andrade e Paula Kim, fez um desfile inesquecível no Pacaembu, inspirado no futebol vibrante do nosso país e nas grandes torcidas que o acompanham. Agora, no Rio Fashion Week, a dupla traz uma nova proposta que remete ao “futebol raiz”, aquele jogado entre amigos nas ruas de paralelepípedo ou nas quadras escolares.
Programado para esta quarta-feira, 13, no Píer Mauá, esse desfile vem com um gosto especial, uma vez que 2023 é um ano de Copa. Pedro Andrade, um entusiasta do esporte, destaca: “O brasileiro para tudo no Carnaval e na Copa. É algo visceral, as pessoas já estão suando frio, passando mal. Mesmo quem não vai aos Estados Unidos para acompanhar os jogos, vai torcer com fervor daqui”.
A Trajetória do Estilista
Com uma trajetória que une esporte e design, Pedro tem um histórico curioso. Influenciado pelo pai, ele praticou judô, jogou basquete e futebol. Foi durante a faculdade de design industrial que começou a criar camisetas para vender e percebeu que poderia unir suas paixões em sua profissão. “Ali eu senti que o produto que eu estava buscando desenhar era a roupa. Decidi estudar moda de forma autodidata e, aos poucos, fui descobrindo meu espaço como estilista. Hoje, 14 anos depois, estou aqui com duas marcas, várias colaborações e posso afirmar que essa foi a escolha mais certeira da minha vida”, conclui.
Apresentando a Coleção ‘Sub-culture Networking’
Prepare-se para looks que fogem do clichê: o desfile da Piet promete ser ainda mais provocador e ousado do que na última temporada. Segundo Pedro, “essa coleção, assim como a do Pacaembu, carrega muita mensagem. Ela aborda a paixão do brasileiro pelo futebol com um toque divertido e nostálgico, mantendo a essência bem-humorada da Piet. É uma coleção de fácil compreensão, mas com um apelo viral”.
A proposta da coleção vai além da estética, focando na relação comportamental das pessoas com o futebol. “Eu gosto de inserir humor nas criações, abordando de forma quase escrachada como o futebol está impregnado no DNA do brasileiro”, explica Andrade. Ele acredita que moda e futebol têm uma ligação intrínseca, manifestando-se no jeito de vestir, nas relações cotidianas e até nas gírias.
Futebol e Música: Uma Combinação Cultural
A coleção ‘Sub-culture Networking’ faz uma fusão entre futebol e música, outra grande paixão nacional. Pedro se inspirou em uma lenda dos anos 70, onde músicas jamaicanas como salsa e bolero teriam chegado a São Luís, no Maranhão, através de ondas curtas, permitindo que as pessoas sintonizassem rádios caribenhas. “Essa parte da coleção dialoga muito sobre as influências musicais no Brasil, que surgiram de diferentes partes do mundo e se adaptaram aqui de maneira única”, diz ele.
Embora essa narrativa nunca tenha sido confirmada, o fato é que o Brasil possui um rico mosaico cultural, e essa é uma das mensagens que Pedro deseja transmitir aos espectadores. “Através da música, conseguimos experimentar essas culturas de forma orgânica. Por isso, optei por integrar temas musicais à coleção, observando as influências de um olhar brasileiro, que traz um viés latino-brasileiro, mesclando com o universo do futebol”.
Democratizando a Moda de Luxo
Em 2025, Pedro Andrade reuniu mais de 6 mil pessoas no Pacaembu para um desfile gratuito. Agora, o estilista busca democratizar o acesso à sua marca de outras formas. “A democratização da moda começa pelo acesso e conhecimento, não apenas pelo produto. O próximo passo é apresentar uma linha mais acessível, como a que estou desenvolvendo em parceria com a Pool”, afirma.
Essa colaboração com a Riachuelo visa ampliar o alcance da grife, pois, como bem lembra Pedro, “a Piet é democrática no acesso e na mensagem, mas o maior desafio é como democratizar a experiência de compra, mantendo a qualidade não só dos produtos, mas também das condições de vida de todos que fazem parte da cadeia produtiva. Como designer independente, dependo de grandes varejistas para tornar minhas ideias acessíveis e preservar meu DNA criativo”.
