Revendo a História de Jurema Finamour
Que histórias permanecem esquecidas ao longo do tempo e quais as razões para isso? Essas são algumas das reflexões que permeiam o espetáculo ‘A Mulher que Virou Bode: a história perdida de Jurema Finamour’. A peça, que será apresentada gratuitamente nos dias 21 e 22 de abril no Teatro Caixa Preta, na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), promete levar o público a uma viagem pela vida desta figura marcante da história brasileira.
Com base na trajetória de Jurema Finamour, uma jornalista e escritora que se destacou entre as décadas de 1940 e 1960, a montagem traz à tona o silenciamento que ela sofreu durante a Ditadura Militar. Jurema passou por deslocamentos e rupturas ao longo de sua vida, o que a peça busca revisitar e discutir com o público, criando uma oportunidade de reflexão.
A obra é inspirada no livro ‘Jurema Finamour: a jornalista silenciada’, escrito pela pesquisadora Christa Berger, e se utiliza das próprias palavras de Jurema, especialmente de sua autobiografia, que dá nome ao espetáculo. Essa abordagem resulta em uma narrativa não linear, explorando os eventos que marcaram a vida da primeira mulher presa política no Rio Grande do Sul.
Uma Experiência Artística Multidimensional
No palco, diversas linguagens artísticas se entrelaçam, incluindo teatro, música ao vivo, dança e elementos documentais. Essa combinação visa apresentar as múltiplas camadas da história de Jurema, proporcionando uma experiência rica e envolvente para os espectadores.
A dramaturgia, elaborada por Luiza Waichel, oferece uma visão polifônica da personagem, com cinco atrizes – Deliane Souza, Eulália Figueiredo, Iandra Cattani, Luiza Waichel e Sofhia Lovison – interpretando Jurema e ampliando as perspectivas sobre sua vida. A trilha sonora original, composta por Antônio Villeroy e arranjos vocais de Simone Rasslan, será executada ao vivo durante as apresentações, criando um ambiente ainda mais imersivo.
Com direção e concepção de Marcelo Bulgarelli, a peça também incorpora recursos visuais e documentais, incluindo uma expografia cênico-documental que relata a vida e a obra de Jurema. Após cada sessão, o público será convidado a participar de rodas de conversa, promovendo um diálogo aberto sobre os temas abordados.
Uma Circulação Teatral Significativa
A apresentação em Santa Maria faz parte do projeto ‘A Mulher que Virou Bode: circulação teatral na rota de fuga de Jurema Finamour no Rio Grande do Sul’. Esta iniciativa busca resgatar os caminhos de exílio da jornalista, percorrendo cidades do interior gaúcho. O projeto é financiado pelo Governo do Estado do Rio Grande do Sul, por meio da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), em colaboração com o Ministério da Cultura e o Governo Federal. As apresentações tiveram início em Rosário do Sul e seguirão até Santa Cruz do Sul.
Reconhecido na cena teatral do sul do Brasil, o espetáculo já acumula diversos prêmios e participações em festivais. Ele se destaca como uma obra que articula a memória e a crítica histórica, convidando o público a refletir sobre os mecanismos de silenciamento que ainda afetam as mulheres na sociedade contemporânea.
Para aqueles que desejam conhecer mais sobre a produção, está disponível um trailer no canal do grupo Rakurs, que é responsável pela peça.
Informações sobre o Espetáculo
O quê: Espetáculo ‘A Mulher que Virou Bode: a história perdida de Jurema Finamour’
Onde: Teatro Caixa Preta, Centro de Artes e Letras (CAL), campus da UFSM
Quando: 21 e 22 de abril (terça e quarta-feira), às 19h
Ingresso: Gratuito (disponíveis online)
Quem: Grupo de teatro Rakurs, com direção de Marcelo Bulgarelli e dramaturgia de Luiza Waichel, no elenco Deliane Souza, Eulália Figueiredo, Iandra Cattani, Luiza Waichel e Sofhia Lovison
Duração: 90 minutos
Acessibilidade: Disponível em Libras
Atividades adicionais: Exposição cênico-documental no local e roda de conversa após as apresentações. Além disso, será oferecida uma oficina intitulada ‘Corpo In-Versos’ no dia 21 de abril, às 10h, no curso de Artes Cênicas da UFSM.
Mais informações: Acompanhe os perfis @jurema.finamour e @teatrocaixapreta nas redes sociais.
